PMs prendem 17 criminosos após perseguição policial na Avenida Brasil

Bandidos estavam em um caminhão roubado; Um homem conseguiu fugir e entrou em um conjunto habitacional em Irajá

Por O Dia

Rio - A guerra entre traficantes rivais pelas bocas de fumo na Favela do Para-Pedro, no bairro Colégio, não dá trégua, e, no meio do fogo cruzado, moradores da comunidade continuam atordoados. Ontem de madrugada, três supostos traficantes do Amarelinho, em Irajá, foram mortos numa Kombi em confronto com a PM na Estrada do Colégio. Segundo investigações, eles estariam tentando invadir o Para-Pedro. À noite, outros 17 suspeitos de integrar o bando do Amarelinho foram presos num caminhão e encaminhados para a 39ª DP (Pavuna). Um deles foi baleado. Até às 22h, eles prestavam depoimento na delegacia.

Por volta das 20h, o bando que deixava o Para-Pedro no caminhão foi interceptado por policiais militares na altura da passarela 25 da Avenida Brasil. Houve tiroteio, e um suspeito foi ferido no rosto. Ele foi levado para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, e depois transferido para o Souza Aguiar, no Centro. O estado de saúde dele não foi informado até as 22h de ontem.

“Ao que tudo indica, são traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP), do Amarelinho, que invadiram o Para-Pedro pela madrugada e estariam voltando para casa. Estamos apurando as circunstâncias”, disse o delegado da 39ª DP (Pavuna) Felipe Firme. No caminhão, foram apreendidos quatro fuzis, três pistolas, sete granadas e nove radiotransmissores.

Pela madrugada, por volta das 2h de ontem, intensa troca de tiros apavorou moradores e atraiu a PM ao Para-Pedro. Em fuga, criminosos numa Kombi foram abordados e chegaram a lançar duas granadas contra os policiais militares. No confronto, três suspeitos foram baleados e morreram. Eles não foram identificados, e outros cinco traficantes conseguiram fugir graças à ajuda de comparsas em outro veículo.

De acordo com os policiais militares que participaram do tiroteio, os suspeitos que morreram estavam com dois fuzis, seis carregadores de fuzis, um radiotransmissor, 255 trouxinhas de maconha e 128 papelotes de cocaína.

“Esses tiroteios têm tirado o sono de toda a comunidade do Para-Pedro. À noite, não se vê ninguém na rua”, disse uma doméstica.

Chefe do pó teria sido baleado em invasão

Nas redes sociais, como de costume, internautas especulavam sobre o novo comando criminoso da Favela do Para-Pedro e a suposta morte do traficante Carlos Henrique Corrêa, o Camaro ou Toulon, apontado como chefe do tráfico local, do Comando Vermelho. Moradores da comunidade garantiam que ele havia sido baleado no confronto.

Por volta das 20h, uma suposta publicação do próprio traficante no Facebook dizia que ele estava vivo e prometia mais confrontos para as próximas horas.

“Cadê os TCP (sic)? Estou no miolo da favela. Mandaram tiro pelas costas, só me deixou com mais raiva. Cadê vocês? Fica tranquilo, morador, tudo 2 pernas. Já tá correndo pro Amarelo (sic)”, disse em tom de ameaça. Entusiasmado, um internauta comenta: “KKK (risos). O homem tem sete vidas”.

Se no ambiente virtual os moradores se sentem à vontade para comentar, ao vivo, a lei do medo impera. Sem se identificar, a vendedora X. confessava os transtornos. “Meus filhos estão na casa da minha mãe, na Baixada. Só continuo aqui porque trabalho no bairro”, disse.

Aviso de tiros pela Internet

Em Madureira, outro bairro da Zona Norte que sofre há meses com a guerra entre traficantes rivais, também houve apreensão durante a madrugada. Pelo Facebook, por volta das 2h, traficantes da Serrinha e do Cajueiro anunciavam o início do confronto. Um internauta que se intitula ‘Cajueiro Congonha Bagdá do Ph’ postou: “Aí, papo reto, vou juntar 5 manos e vou lá do outro lado da pista dar tiro para dentro da Serrinha. Quem mora em Madureira ouve só o AK (fuzil)cantando”, diz a postagem.

Ontem, O DIA mostrou que as provocações na internet viraram comuns entre rivais em Madureira. Moradores da região evitaram a Avenida Ministro Edgard Romero, via que divide as comunidades. No Twitter, um usuário lamentava: “Há 40 anos em Madureira, nunca foi tão ruim morar aqui”.

Em Rocha Miranda, a PM realizou operação no Morro do Faz Quem Quer, com apoio de um blindado desde as 5h. De acordo com a 29ª DP (Madureira) e 40ª DP (Honório Gurgel), até às 20h, não houve apreensões de drogas nem prisões.

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