Unidades de saúde terão controle de ponto digital

Sistema biométrico que será licitado dia 18 pela prefeitura pretende reduzir falta de atendimento na rede pública

Por O Dia

Rio - Com mais de um ano de atraso do prometido, a Prefeitura do Rio começa a se mobilizar para implantar o ponto biométrico — sistema digital que faz o controle de entrada e saída de funcionários — nas unidades de saúde. Serão comprados 256 equipamentos para atender 113 hospitais, maternidades, institutos municipais, postos e policlínicas.

Com a aquisição, toda a rede do município passa a ser monitorada com a nova tecnologia — atualmente, apenas as Clínicas da Família e alguns centros de saúde dispõem do sistema. Cada leitor eletrônico permite o registro de até duas digitais. O custo aos cofres públicos será de cerca de R$ 19 milhões. Promessa de campanha do prefeito Eduardo Paes, o uso do ponto eletrônico nas unidades municipais de saúde ganhou força com a morte da estudante Adrielly dos Santos, 10 anos, que foi atingida por um bala perdida na noite de Natal, em 2012, no bairro Piedade.

O Hospital Souza Aguiar%2C no Centro%2C é um dos 19 que receberá o novo ponto eletrônico%2C hoje disponível em Clínicas da Família e centros de saúdeBanco de imagens

Ela esperou oito horas para ser operada no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. A demora aconteceu porque o neurocirurgião escalado faltou ao plantão. No Rio, a implantação de controle biométrico em hospitais federais desencadeou uma greve, que começou no último dia 3. Diretora do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social no Rio (Sindsprev), Christiane Gerardo questiona o uso da tecnologia.

“É uma polêmica. Na rede federal, há irregularidades. O ponto não emite comprovante. Como o funcionário faz para provar que estava presente ? Não somos contra o controle das horas de trabalho, mas de se criar uma cortina de fumaça para a sociedade que responsabiliza o servidor pela crise na saúde”, afirmou. 

Estão na lista para ganhar o ponto 19 hospitais — entre eles Souza Aguiar, Miguel Couto, Lourenço Jorge, Rocha Maia, Salgado Filho e Paulino Werneck —; 91 unidades de Atenção Primária e Secundária e três institutos. A licitação para a compra dos leitores, fornecimento de bobinas, serviços de garantia técnica e de manutenção, pelo período de dois anos, está marcada para o dia 18.

Chefias saberão de faltas por e-mail

O ponto que será adquirido pela prefeitura tem memória que permite o armazenamento de 12 milhões de registros. O equipamento gera notificação por e-mail para melhor controle dos funcionários. Assim, as chefias podem receber mensagens na internet em que são informadas sobre a necessidade de abonar horas extras em seu setor. Já o servidor pode receber e-mails em que é avisado de que precisa justificar alguns horários.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o cronograma de implantação é estimado em seis meses. O órgão não soube informar quantos servidores estarão submetidos à biometria. Atualmente, a maioria das unidades básicas (clínicas da família e centros de saúde) já utiliza sistemas informatizados, com prontuário eletrônico em funcionamento e controle biométrico.

Todas as UPAs e Coordenações de Emergência Regional, além de dois hospitais (Pedro II e Evandro Freire) e duas maternidades (Mariska Ribeiro e Maria Amélia Buarque de Hollanda) também já utilizam o ponto biométrico. Quando tomou posse do segundo mandato, no dia 1º de janeiro de 2013, Paes anunciou o sistema de controle de funcionários nas unidades de saúde. Na época, a promessa era de que a implantação ocorreria em seis meses.

Já o médico Adão Orlando Crespo Gonçalvez, que não estava no plantão de Natal para atender os pacientes — o que pode ter agravado o caso de Adrielly — foi demitido da rede municipal em julho de 2013. Foi argumentado que, além de não comparecer ao plantão, o servidor fraudava as folhas de ponto para receber sem trabalhar e, por isso, também foi acusado de estelionato.

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