Estação Vila Paciência sem prazo para voltar a operar

Após destruição, usuários têm de pegar ônibus até outra parada do BRT

Por O Dia

Rio - A prefeitura ainda não tem prazo para restabelecer o funcionamento da Estação Vila Paciência do BRT Transoeste, incendiada e destruída por manifestantes na quinta-feira. O protesto começou após Luanderson Lima Sobrinho, de 12 anos, ter sido baleado durante operação da PM, que trocou tiros com traficantes da Favela do Aço, próxima ao terminal, em Santa Cruz. O adolescente, morador da comunidade, foi levado para o Hospital Pedro II, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no fim da noite de quinta-feira.

Para reduzir o impacto sobre o transporte da região, linhas alimentadoras do Transoeste começam hoje a transportar passageiros até as estações próximas. “Foi perda total”, disse o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, ao fazer uma inspeção no local nesta sexta-feira.

Funcionários da prefeitura trabalham para reformar a estação do BRT Transoeste que ficou destruída durante a manifestaçãoCarlos Moraes / Agência O Dia

“Ainda estamos contabilizando os prejuízos, junto com a Secretaria Municipal de Conservação. Vamos fazer o possível para restabelecer os serviços o quanto antes”, afirmou Sansão.

A circulação da linha do BRT Campo Grande-Santa Cruz e Paciência-Recreio, interrompida por 15 horas na quinta-feira, a pedido da PM por questões de segurança, foi normalizada no início da manhã de ontem.

Hoje, um leitor enviou pelo WhatsApp do DIA (98762-8248) foto em que diz ter flagrado uma mulher, suspeita de ter ajudado a incendiar a estação, borrifando um líquido na plataforma de embarque, que já tinha o vidro da porta quebrado. O leitor diz ter sido testemunha da ação e contou que outras duas jovens também utilizaram borrifadores para espalhar o conteúdo do recipiente, que seria álcool, no local.

Mulher usa borrifador para espalhar álcool pela estaçãoLeitor via Whatsapp do DIA

Durante as manifestações pela morte do menino, também foi incendiado um ônibus articulado do Transoeste, que, segundo o operador, é avaliado em R$ 450 mil. Desde o início do ano, 32 ônibus já foram incendiados no Rio. A 36ª DP (Santa Cruz) investiga se os ataques ao BRT foram incentivados por traficantes da região.

Irmã mostra foto de LuandersonCarlos Moraes / Agência O Dia

Morto quando brincava na rua

?Parentes de Luanderson Lima Sobrinho se desesperaram ontem enquanto o carro da Defesa Civil transportava o corpo do menino do Hospital Pedro II, em Santa Cruz, para o Instituto Médico Legal de Campo Grande. O estudante, de 12 anos, morreu em decorrência do tiro que tomou na perna direita durante confronto entre policiais militares e criminosos na Favela do Aço. O enterro está marcado para hoje, às 12h, no Cemitério de Santa Cruz.

Jaciane dos Santos, tia-avó do menino, de 39 anos, e seu filho Diogo, de 20 anos, afirmaram que Luanderson jogava bola de gude perto de casa quando foi atingido por um disparo de um PM. “Conversei com pessoas que estavam ali e que viram o policial que atirou. Ele e outros PMs sequer prestaram socorro. Disseram que para ajudar precisavam esperar a chegada de reforço”, disse Diogo.

Luanderson tinha três irmãs mais novas e era órfão de pai. Ele cursava o 7º ano do ensino fundamental na Escola Municipal Profª Sílvia de Araújo Toledo, no Cesarão, em Santa Cruz.

De acordo com a PM, o disparo que atingiu o menino saiu da arma de um traficante. As armas dos policiais serão encaminhadas para exame balístico, assim como a pistola encontrada com um dos homens presos na operação.

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