Torcida capricha na fantasia e sofre na disputa de pênaltis de Brasil e Chile

Não faltou emoção na vitória suada da seleção brasileira sobre a chilena, nos pênaltis

Por O Dia

Houve vibração e sofrimento com lances do jogoFernando Souza / Agência O Dia

Rio - Fantasias criativas, sósias de famosos, folia, tensão e alegria. Não faltou emoção na Fifa Fan Fest na vitória suada da seleção brasileira sobre a chilena, nos pênaltis. A arena reuniu 30 mil torcedores, que foram à loucura com a partida dramática. Com o rosto pintado nas cores do Brasil, Julia Martins, 12 anos, expressou bem o que o jogo causou: um misto de tensão e alegria.

Depois, foi hora de continuar sonhando com o hexa e curtir o show do bloco Fogo e Paixão. Em meio à explosão de felicidade, o uruguaio Luis Suárez, que deixou a Copa mais cedo por dar uma dentada no jogador italiano Giorgio Chiellini, roubou a cena. Ele foi um dos nomes mais lembrados na Fifa Fan Fest.
O pedreiro Oséas da Conceição Santos, 42, se fantasiou de figurinha de Suárez, com direito a dentes de vampiro. “Ele gosta de morder, mas é o Uruguai que vai ser mordido. Dessa vez, eles não acabam com a nossa festa”, previa ele, lembrando a Copa de 1950, em que o Uruguai foi campeão do mundo em cima do Brasil no Maracanã.

Mas nem todos faziam críticas ao jogador. Um exemplo era o jornalista carioca Pedro Só, 46, neto de uruguaio. “O que ele fez foi errado, mas já foi punido. Tenho orgulho de usar a camisa do Suárez, que é um grande craque. Queira ou não, ele é o maior personagem da Copa até agora”, disse.

Mais de 30 mil pessoas assistiram ao jogo no Alzirão, na Tijuca. A aposentada Lenilcéa Martins, 70, e a neta Natasha Martins, 19, chegaram cedo. “Moro no Grajaú, mas aqui me sinto em casa. A partida do Brasil contra Camarões vimos na Fan Fest. Fiz amizade com muitos estrangeiros e, por coincidência, um grupo de chilenos. Gostei deles, mas hoje eles vão ficar tristes, porque vamos acabar com o Chile”, torcia Lenilcéa.

Quem fez sucesso no Alzirão foi Thiago Cruz Mendes, sósia de Neymar. Muito assediado, repetia que “já sabia que o Brasil iria ganhar”. Outro destaque foi a transformista Regiane de Mônaco, cover da cantora Rita Lee. Apesar dos cabelos vermelhos, da cor da camisa do Chile, ela jurou que deu sorte ao Brasil: “A Rita Lee é pé-quente.”

O lugar também foi invadido por estrangeiros. Os uruguaios Nicolas, Leonardo e Diego afirmavam que o Chile venceria o Brasil. “Viemos na esperança de comprar ingressos para o jogo com a Colômbia no Maracanã, mas infelizmente não conseguimos. O jeito é ver nossa seleção daqui mesmo. Enquanto o jogo não começa, vamos torcendo para o Chile”, provocava Nicolas.

Os colombianos Mateo, Jorge e Mauro não estavam secando a Seleção canarinho, mas diziam não temê-la. “Nosso time tem totais condições de vencer o Brasil”, diziam, prevendo a vitória sobre o Uruguai.

O clima na cidade era de Carnaval entre brasileiros e estrangeiros e teve até cover de Rita LeeFernando Souza / Agência O Dia

Briga em Copa e gás de pimenta no Maraca

?Com grande maioria de torcedores colombianos durante o jogo contra o Uruguai na tarde de ontem, a Fifa Fan Fest mais parecia um pedaço da Colômbia em Copacabana.

Pintados com as cores da bandeira e cantando músicas colombianas, eles vibraram com o feito histórico da seleção. “Há 16 anos não participávamos do torneio, por isso viemos em peso e estamos nos céus por ter chegado pela primeira vez nas quartas de final”, disse Sandro Ruiz, de 26 anos.

A minoria de uruguaios também vibrou e acreditou até o fim, trocando provocações com a torcida adversária. Apesar da festa, antes do fim da partida houve briga entre um grupo de torcedores uruguaios e colombianos. A equipe de segurança encaminhou os envolvidos para fora da área do evento.

No Maracanã, houve mais brigas. Após o jogo, torcedores colombianos e uruguaios entraram em confronto dentro do estádio, e seguranças tiveram que intervir usando gás de pimenta.

Torcida colombiana fez festa%2C incrementada com o reforço dos próximos adversários%3A os brasileirosFernando Souza / Agência O Dia

?Mesmo depois da derrota, a animada torcida do Chile não desiste da festa

Antes da derrota, chilenos da família Arancibia esbanjavam confiança. Tanto é que prometeram raspar as suas barbas caso a seleção chilena fosse eliminada. Será que eles já encontraram um barbeiro? No mar verde-amarelo de Copacabana, poucos pontos vermelhos pareciam querer manchar a festa brasileira. Em pequeno número na orla carioca, os chilenos que escolheram o local para assistir à partida contra o Brasil só tiveram uma opção: preparar o espírito e entrar na brincadeira.

Acanhados, os poucos que se aventuraram em meio à multidão do lado de fora da Fifa Fan Fest mantiveram as esperanças até o último segundo do jogo, mas saíram com um gosto amargo e foram alvo de gozações.

Dessa vez, ao contrário da partida contra a Espanha, no Maracanã, ainda na fase de grupos, quando os chilenos tomaram as ruas do Rio e promoveram uma invasão nos principais pontos de festa da cidade antes e depois da partida, o destino dos torcedores deve ter sido Belo Horizonte. Pelos bares da Zona Sul, só se viam camisas amarelas.

“Os brasileiros brincam, mas não são agressivos. Não ficamos com medo, só tristes pelo resultado. O Brasil está mostrando que a Copa é de todos e que pode haver paz entre as torcidas”, contemporizou o chileno Maicon Mondaca, 31 anos.

Ao final, o banho de cerveja e a euforia brasileira fizeram com que os chilenos fossem curar a ressaca longe de Copacabana.

Últimas de Rio De Janeiro