Candidatos defendem Cieps em programas de governo

Resgate dos colégios criados por Brizola é principal proposta para a Educação

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Leonel Brizola terminou seu segundo mandato como governador em 1994, sua morte fez 10 anos recentemente e seu PDT não tem mais o protagonismo de outras épocas. Mesmo assim, o legado brizolista é objeto de disputa nestas eleições, especialmente sobre a Educação.

Dos quatro candidatos que lideram as pesquisas ao governo do Rio, apenas Luiz Fernando Pezão (PMDB) não cita a recuperação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) como principal proposta para a área em seu programa de governo. Marcelo Crivella (PRB), Lindberg Farias (PT) e Anthony Garotinho (PR) mencionam o ‘Velho Briza’ e o resgate do projeto educacional criado pelo antropólogo Darcy Ribeiro como bandeira a ser defendida na campanha.

Clique sobre a imagem para a visualização das propostas dos candidatosarte%2C rio

Defensor histórico da educação básica e do ensino em horário integral, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) se disse “muito satisfeito” pela intenção de resgatar os Cieps. Mas deixou claro que eles precisarão ser modernizados e os professores devem ser parte do processo. “Brizola fez uma experiência inovadora. A educação do Rio seria outra se o investimento nos Cieps continuasse, mas é hora de modernizá-los e olhar para o magistério”.

UPP foi outra sigla que teve destaque nos programas de governo. Ainda que os candidatos discordem em alguns pontos, fato é que todos prometeram a continuidade do programa, com ênfase nos aspectos sociais.

Pelo menos na forma como foram escritos, os programas são condizentes com o histórico dos candidatos. Conhecido pela acidez dos discursos em que critica o atual governo, Garotinho usa quase metade das 81 páginas de seu programa para enumerar problemas. Ironizou a “fantasia das siglas”, em referência as UPPs e UPAs e propôs mudanças, como a devolução dos PMs lotados em favelas a seus batalhões de origem.

Menos ‘ácido’ que Garotinho, Marcelo Crivella produziu um documento discreto e sucinto, com apenas oito páginas. Usa um tom moderado nos ataques ao atual governo, em que critica o alto número de secretarias.
Pezão, por sua vez, escreveu a exaltação dos anos em que ele e Sérgio Cabral estiveram no Palácio Guanabara. O destaque é para segurança, cujas realizações e promessas são mostradas ao longo de 12 das 82 páginas. Fartamente ilustrado, o programa gira em torno da continuidade das iniciativas tomadas pela administração da dupla desde 2007.

Já Lindberg gastou quatro de suas 50 páginas para transcrever trechos de promessas não cumpridas por Cabral, apresentadas em 2010, e optou por mostrar “compromissos” com seus eleitores no lugar de propostas mais explícitas.

Candidato do PT é multado

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) multou ontem candidato do PT ao governo, Lindberg Farias, em R$ 400 mil por desvio de finalidade em 16 inserções da propaganda partidária veiculada no rádio e na televisão no segundo semestre do ano passado. Com a decisão, Lindbergh acumula quase R$ 966 mil em multas por propaganda antecipada. O PT também foi punido com perda de tempo equivalente a cinco vezes ao das inserções irregulares na propaganda partidária de 2015.

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