Crise no estado faz preço de refeição popular subir e cardápio empobrecer

Pão e a sopa que eram servidos junto com a comida já não existem mais. Copo de suco diminuiu de 300 para 200 ML

Por O Dia

Rio - A crise financeira do Governo do Estado chegou à mesa. Desde o início de maio, os 16 restaurantes populares do Rio enfrentam redução no cardápio devido aos quatro meses de atraso no repasse de verba para as empresas terceirizadas, responsáveis pela administração das unidades. O pão e a sopa que eram servidos junto com a comida já não existem mais. O copo do suco diminuiu de 300 para 200 ML. O problema ocorre no mesmo mês em que a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos dobrou a tarifa das refeições, passando a cobrar R$ 2.

No contrato de serviço para o preparo, fornecimento e distribuição das refeições, firmado entre o governo e as 10 empresas responsáveis pelos restaurantes, está previsto obrigatoriamente no almoço, sopa de 250 gramas e salada de 60 a 80 gramas como entrada e o pão de sal como acompanhamento. O documento estabelece ainda que o suco deve ser servido em copo de 300 ML. O DIA percorreu as unidades da Central, Duque de Caxias e Nova Iguaçu e constatou que nenhum dos itens eram servidos há pelo menos um mês e o suco chegava à bandeja em copos de 200 ML.

O custo do almoçou dobrou%3A passou de R%24 1 para R%24 2. Já o café da manhã passou para R%24 0%2C50Paulo Araújo / Agência O Dia

Responsável pelo restaurante de Nova Iguaçu, a empresa Cial confirmou que suspendeu o complemento do almoço porque o governo está em atraso com pagamento. “Estamos fazendo todos os esforços para manter o funcionamento correto, mas tivemos que abrir mão de alguns produtos por conta do custo”, informou o diretor regional da empresa, Luiz Bangel. Segundo ele, a crise está sendo tratada diretamente com o governador Luiz Fernando Pezão. “Tivemos algumas reuniões com ele e a previsão é de que nos próximos quatro meses tudo volte ao normal”, completou.

Em Duque de Caxias, nem o café dado de cortesia existe mais. As opções de sobremesa, que em outros tempos eram fartas, atualmente estão restritas ao doce industrializado de 70 gramas ou uma laranja. “Já comi até doce de leite aqui. Também davam banana e maçã no almoço. Agora mal tem o suco para beber”, criticou a cobradora de ônibus, Marlene Limeira Leal, de 56 anos. No contrato de serviço, está previsto o fornecimento gratuito de café ou chá, o que não é cumprido. Para as sobremesas, o cardápio inclui também sorvete e pudim, pelo menos uma vez no mês.

Em nota, a Secretaria de Assistência Social alegou que a redução de itens no cardápio não interfere no valor nutricional da refeição. Sobre os atrasos, a pasta afirmou que a nova gestão chegou em janeiro e encontrou atrasos de novembro e dezembro. Neste ano, apenas um mês foi pago.

Mais de 90 mil pessoas almoçam nos restaurantes populares

Mesmo com o aumento das refeições— o almoço de R$ 1 para R$ 2 e o café da manhã de R$ 0,35 para R$ 0,50—, as empresas terceirizadas continuam recebendo o mesmo valor estabelecido nos contratos.

Para fornecer 1.250 cafés e 3.750 almoços por dia, a Cial, gestora do restaurante de Nova Iguaçu, recebe mais de R$ 4 milhões por ano. “O aumento da refeição não mudou em nada para nós. Só serviu para cobrir os aumentos dos alimentos”, explicou Luiz Bangel.

Neste ano, a Secretaria de Assistência Social contabilizou a média diária de 90.134 refeições e 50.004 cafés da manhã nas 16 unidades do Rio. No ano passado, o índice era ainda maior: 92.134 pratos no almoço e 51.104 refeições matinais.

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