Investigação da polícia não acredita em latrocínio no caso da morte de produtor

Homofobia ou intolerância religiosa são as principais linhas de investigação da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense

Por O Dia

Rio - Parentes e amigos do produtor cultural Adriano da Silva Pereira, de 33 anos, acreditam que ele pode ter sido agredido pelo assassino. Segundo a família, o corpo da vítima — encontrado em um córrego na Estrada do Cabuçu, em Queimados, segunda-feira — apresentava hematomas e perfurações. “Geralmente quando é latrocínio, o criminoso quer logo se livrar do corpo, o que não foi o caso. Havia agressões no coração e pescoço. O assassino queria que ele sofresse”, contou o irmão de fé de Adriano, o fotojornalista Mazé Mixo, 31.

Homofobia ou intolerância religiosa são as principais linhas de investigação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), para tentar esclarecer o assassinato. Entretanto, investigadores não descartam nenhuma hipótese. “Homofobia também é uma linha consistente. Tem todas as características. Ainda pode ter ocorrido outra motivação, como crime de ódio. É prematuro dizer. Outra vertente pode ter agregado à homofobia, por ele pertencer a crenças filosóficas”, disse o delegado Fábio Cardoso, se referindo à religião da vítima, o candomblé.

Mazé Mixo%2C amigo de Adriano%3A 'Ele chamava a atenção sem querer. Era uma pessoa sensacional' Divulgação

Adriano foi enterrado quarta-feira em Mesquita. A mãe, o cunhado e dois amigos prestaram depoimento ontem. Mazé Mixo, que esteve ontem na DHBF, garantiu que o amigo não tinha relacionamento com ninguém, mas que era insultado nas ruas. “No celular dele não havia nenhuma mensagem ou telefonema. Ninguém o perseguia”, lembrou Mazé.

Coordenador do Centro de Cidadania LGBT da Baixada, Ernane Alexandre, afirmou que desde 2011 houve 15 casos de mortes de gays, lésbicas e transexuais na região. “Estamos acompanhando esses casos. No caso do Adriano, dá para ver que teve muito ódio por parte do assassino”, contou.

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