Mãe de menino morto no Alemão critica a PM: 'A corporação toda está podre'

Ana Paula de Oliveira e Terezinha Maria de Jesus comentaram caso de jovens fuzilados no Complexo da Pedreira

Por O Dia

Rio - Roberto de Souza Penha, Wesley Castro, Wilton Esteves Domingos Junior, Cleiton Corrêa de Souza e Carlos Eduardo da Silva Souza nunca viram Eduardo de Jesus Ferreira e tampouco Jonatan de Oliveira, no entanto, os sete possuem uma coisa em comum: ainda que moradores de regiões distintas da cidade, todos morreram em decorrência da ação policial em comunidades cariocas.

Ana Paula de Oliveira e Terezinha Maria de Jesus, mães de Jonatan e Eduardo, respectivamente, também não se conheciam até a morte prematura de seus filhos as unir. No último mês, as duas estiveram na Europa a convite da Anistia Internacional para contar suas histórias e, nesta terça-feira, mandaram um recado para as famílias dos cinco jovens assassinados no Complexo da Pedreira.

"Gostaria de mandar o meu abraço para todas as famílias que estão sentindo a minha dor. A Justiça é árdua e infelizmente tem dois pesos e duas medidas, mas não podemos desistir. Foi bom ir à Europa para contar a minha história, mas é triste perceber que eu tenho que sair do meu país para buscar apoio. Parece que as pessoas aqui já estão acostumadas", desabafou Ana Paula.

Mãe do menino Eduardo, Terezinha foi ainda mais dura e criticou a postura do Governo do Estado. "Meu recado é para as famílias. Peço que elas não fiquem caladas porque é isso que o sistema quer! Lutem por justiça! Nossos filhos merecem ser honrados! Queria muito poder abraçar cada uma dessas mães", disse, alfinetando o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão:  "Ele precisa se posicionar quanto a isso. Não basta expulsar o comandante se a corporação toda está podre".

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Em 2014, 580 pessoas foram assassinadas pela polícia, segundo dados da Anistia Internacional. "Muitos desses casos não foram esclarecidos. O 41º BPM (Irajá) é considerado o batalhão de maior mortalidade, com o maior número de assassinatos", explicou Renata Neder, assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, acrescentando: "Somente em 2014 houve um aumento de 40% no número de mortes pela polícia. Em 2015, o aumento foi de 20%. Estamos preocupados em como será no ano que vem, que temos as Olimpíadas".

Reportagem da estagiária Maria Clara Vieira

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