Famílias e vítimas de tragédia em ônibus têm direito a indenizações

O presidente da Comissão Especial de Trânsito da OAB-RJ, Armando Silva de Souza, recomendou aos feridos e às famílias das vítimas que procurem a Justiça

Por O Dia

Rio - Alessandro de Carvalho, de 17 anos, saiu de casa para o ensaio de uma festa de 15 anos e não voltou. O garoto vivia em Guapimirim e seguia para o Recreio. A mãe dele, a cabeleireira Simone Miranda, foi ao Instituto Médico Legal, na manhã desta segunda-feira, para liberar o corpo. “Na última vez que falei com meu filho, pedi que voltasse para casa. Ele disse que ontem (domingo) não dava, mas voltaria quando os ensaios terminassem”, lembra Simone, emocionada. Pela manhã, ela reclamava que não tinha recebido qualquer auxílio da Redentor, empresa responsável pelo ônibus. No fim da tarde, o Consórcio Transcarioca informou que a empresa já tinha oferecido apoio a todas as famílias dos mortos.

O presidente da Comissão Especial de Trânsito da OAB-RJ, Armando Silva de Souza, recomendou aos feridos e às famílias das vítimas que procurem a Justiça, pois têm direito a indenizações. “Ao ingressar no coletivo, o passageiro celebra um contrato que prevê que ele seja conduzido são e salvo. Esse contrato foi quebrado.” As vítimas também têm direito ao seguro DPVAT (até R$2,7 mil para despesas médicas e R$13,5 mil para morte). Os procedimentos estão no site do DPVAT.

O motorista (camisa branca) sai acompanhado do advogado após prestar depoimento na 41ª DPAlexandre Brum / Agência O Dia

Polícia Civil considera três principais linhas de investigação

A Polícia Civil considera três principais linhas de investigação para chegar à causa do acidente com um ônibus da linha 348 (Castelo-Riocentro), da empresa Redentor, que matou cinco pessoas e deixou 35 feridos na tarde de domingo, na Linha Amarela. O delegado Rodrigo Sá, da 41ª DP (Tanque), apura se houve conduta indevida do motorista — se dirigia em alta velocidade ou cochilou —, falha mecânica ou má conservação da via.

Segundo o delegado, o condutor Domingos Basileu Camelo, 50 anos, relatou, em depoimento ontem, que só lembra que “apagou” logo após ter ouvido o barulho de uma moto que passou ao lado do ônibus na saída do último túnel da Linha Amarela, na pista sentido Barra. Ele não soube explicar o que o fez perder a consciência antes de colidir contra o muro.

Imagens cedidas pela Redentor e pela Lamsa, que administra a Linha Amarela, levam o delegado a crer que a motocicleta dificilmente teve relação com o acidente. No entanto, ele vai aguardar os laudos de duas perícias, feitas no local, no domingo, e, ontem, no ônibus, para descartar qualquer hipótese. “Existia uma moto próxima ao ônibus, mas ela não é a principal linha de investigação. A perícia constatou que um pneu estava furado, mas só o laudo vai confirmar se furou antes do acidente ou depois, com a colisão”, afirmou.
Algumas testemunhas disseram que o motorista estava correndo. Outras relataram tê-lo visto cochilando. A perícia do tacógrafo, aparelho que registra a velocidade do ônibus, vai apontar se o motorista dirigia acima de 80 km/h, limite para o local.

O condutor, que sofreu ferimentos no rosto, saiu da delegacia sem falar com a imprensa. O advogado Eduardo Vicente da Silva, representante do sindicato de motoristas, informou que o profissional negou ter cochilado. O delegado disse que vai esperar a perícia das imagens das câmeras do ônibus para comentá-las. O coletivo envolvido no acidente recebeu 42 multas entre abril de 2011 e novembro de 2015, uma a cada 40 dias.

Em nota, o Consórcio Transcarioca esclareceu que vem investindo para a redução das infrações. “É importante esclarecer que cada veículo é conduzido por diferentes motoristas”, acrescentou.
Dos feridos, pelo menos quatro permanecem internados. Duas no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca — um passageiro se encontra em estado grave —, e outras duas vítimas, inclusive uma mulher que inspira cuidados, no Miguel Couto, Leblon.

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