Tomate bem mais rentável sai da Uenf

Pesquisa em Campos revela espécie que pode baratear custo de produção e reduzir o preço aos consumidores

Por O Dia

Rio - Indispensável na mesa de milhões de brasileiros, seja na salada, no sanduíche ou em forma de molho e até mesmo de suco, o tomate se transformou em um dos vilões da inflação no ano passado, com preços que chegaram a dobrar. Tornar o alimento mais acessível economicamente à população e, ao mesmo tempo, mais rentável para o produtor, se tornou um desafio para os pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes. Celeiro de importantes pesquisas na área agropecuária, a universidade acaba de completar 21 anos.

Em sua pesquisa de doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal, a agrônoma Andrezza da Silva Machado Neto procurou avaliar o desempenho agrícola e econômico de duas espécies de tomate de mesa — Siluet e Santa Clara. Foram analisadas as condições de cultivo e manejo. A pesquisa levou em conta o equilíbrio da produção, por meio da preservação ambiental e a produção sem de resíduos que prejudiquem a saúde humana.

“A pesquisa nos permite concluir que a melhor proposta é o cultivo orgânico do tomateiro Siluet, com produtividade de 6,02Kg/planta. A atividade foi capaz de remunerar o custo total de R$ 23,70 por planta com a geração de um lucro líquido de R$ 6,34 por planta. Além disso, apresentou-se como uma proposta de baixo risco, com probabilidade de 14,81% para geração de prejuízo econômico, e uma taxa anual de retorno de 83,2%”, disse Andreza.

A espécie indicada nas pesquisas realizadas na Uenf apontam para uma taxa anual de retorno de 83% para os produtores no cultivo orgânicoBanco de imagens

“A pesquisa mostrou que o cultivo orgânico do tomateiro Siluet apresentou uma grande produtividade e o lucro bancou todos os custos operacionais”, destacou. Duas unidades experimentais foram instaladas para realizar a pesquisa. Na primeira, as plantas foram cultivadas em casas de vegetação sob manejo orgânico de adubação e controle fitossanitário (pragas e doenças).

No segundo experimento, o cultivo foi realizado no campo, sob dois sistemas de produção: um orgânico e outro livre de agrotóxicos com o uso de adubos minerais. Segundo Andrezza, a ampla divulgação de seu estudo pode representar redução de custo no produto para o consumidor final. A Uenf divulgará a análise por meio de palestras e cursos para os produtores rurais das regiões Norte e Noroeste Fluminense, onde é alta a produção de tomate.

“Espero que, com a maior difusão da minha tese, esse tipo de cultivo prospere e os preços nas prateleiras diminuam. Alguns produtores já tomaram conhecimento e fizeram contato para começarem a produzir”, contou. Andrezza disse ainda que espera que sua pesquisa seja aplicada no campo o mais rápido possível.

“Muitos produtores não arriscam fazer esse teste porque podem gastar dinheiro à toa e não ter um resultado positivo. Agora com tudo consolidado, o objetivo é fazer com que comece a acontecer na prática. Ficar só no plano dos estudos não adianta”, concluiu. Na última pesquisa divulgada pela Emater-Rio, em 2012, foram produzidos 194.244 toneladas de tomates pelos 3.454 produtores do estado, com um faturamento de mais de R$ 281 milhões.

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