Tempestades em tempo de seca castigam o interior do estado

Enquanto algumas cidades sofrem com falta d’água, outras enfrentam problemas com temporais e transborde de rios

Por O Dia

Rio - Enquanto os problemas com abastecimento de água causados pela pior estiagem dos últimos 84 anos no estado se intensificam em diversos municípios fluminenses, a temporada de chuvas de verão chegou atrasada, mas com força em muitos deles, provocando estragos. Em Cachoeiras de Macacu, de acordo com a Defesa Civil, 25 casas foram destelhadas no temporal de granizo na noite de quinta-feira. Ninguém ficou ferido.

Em Angra dos Reis e Barra Mansa, que vêm sofrendo problemas com a falta de água, como o DIA mostrou nesta sexta-feira, choveu muito além do volume esperado: 63 milímetros e 76mm, respectivamente, quando a previsão não passava dos 25mm. Em Barra Mansa, foi a maior chuva dos últimos dois anos.

Em Barra Mansa%2C a chuva que caiu durante quase uma hora causou transbordamento do rio homônimo à cidadeFoto de leitor

Houve atendimentos de emergência em quatro bairros: Centro, Ano Bom, Boa Sorte e Nova Esperança. O térreo do Hospital da Mulher ficou alagado e pacientes foram transferidas para o segundo andar.

As tempestades assustaram muita gente e provocaram a interrupção de energia elétrica em várias cidades, como Resende, Porto Real, Angra dos Reis, Paraty e Itatiaia. Em Volta Redonda, a Estação de Tratamento de Água de Belmonte ficou paralisada durante sete horas, devido à falta de energia, e alguns pontos da cidade ficaram sem água.

Na quinta, o Sistema de Monitoramento de Descargas Atmosféricas da Ampla registrou 755 raios em toda a sua área de concessão (66 municípios). Resende, no Sul Fluminense, recebeu a maior incidência (280 raios), seguida por Cachoeiras de Macacu, com 49, e Guapimirim, com 48. Em todo o ano de 2014, a Ampla registrou 28.516 raios. O fenômeno se intensifica no verão e causa instabilidade no fornecimento de energia, além dos riscos de acidentes.

No distrito de Papucaia,em Cachoeiras, moradores relataram que nunca haviam visto fenômeno parecido. Pedras de até oito centímetros de diâmetro também atingiram animais nos pastos, hortas das casas e sítios. Carros foram amassados e os vidros ficaram estilhaçados. Em Angra e Paraty, houve queda de árvores e deslizamento de terra. Em Itatiaia, ao menos 40 árvores foram danificadas.

Angra define manobras para racionar

Em Angra dos Reis, técnicos da prefeitura e da Cedae se reuniram nesta sexta-feira para definir o cronograma de manobras fixas dentro do plano de emergência hídrica acertado entre estado e município.

As manobras vão funcionar quando houver a necessidade de racionamento da água e serão alteradas a cada 24 horas, dividindo o abastecimento em dias pares para alguns bairros e ímpares para outros. A água sempre será liberada a partir das 16h.

Algumas partes do sistema de abastecimento funcionam por meio de bombas. Caso haja picos de energia ou a falta dela, elas serão desligadas. O bombeamento voltará ao normal assim que a energia elétrica e o sistema de pressão da água forem normalizados, não alterando o cronograma e nem o horário de abastecimento das manobras.

“Estamos trabalhando em conjunto para que, em curto prazo, possamos sanar a falta de água nas casas. É importante ressaltar que todos precisam ter um reservatório (caixa d’água), para não ficarem sem água no período de manobra”, lembrou o coordenador da Cedae em Angra dos Reis, Paulo Coutinho.

Ajuda para os agricultores

?Além de transtornos aos moradores, que sofrem com as torneiras secas, a estiagem prolongada tem causado prejuízos à agricultura, pecuária, pesca e indústria em todo o estado. Para amenizar as perdas de 13 mil agricultores do Norte e Noroeste Fluminense e parte da Região Serrana, o governo estadual lança na segunda-feira, em Italva, o programa Rio Rural Emergencial.

Como ‘O Dia no Estado’ antecipou, serão R$ 30 milhões em recursos do Banco Mundial para o plano de contingência, que prevê ações como sistemas de nutrição para os rebanhos e perfuração de poços artesianos para uso coletivo.

Foi criada uma força-tarefa formada por técnicos das empresas Emater-Rio e Pesagro-Rio e da Defesa Agropecuária. “Somente a perfuração dos poços vai utilizar R$ 12 milhões. Serão reservatórios de água para matar a sede do gado, que sofre com a falta de pasto, e também irrigar lavouras”, explicou o secretário de Agricultura, Christino Áureo.

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