Thiago Pampolha: A Baía de Sepetiba pede socorro

A situação é tão grave que o MPF estima que, se nada for feito de imediato, em dez anos o boto-cinza desaparecerá de vez

Por O Dia

Rio - A redução na população de botos-cinza — que já são raríssimos na Baía de Sepetiba — é mais um triste indício de desequilíbrio ambiental. O boto-cinza é uma das dez espécies mais ameaçadas do Estado do Rio de Janeiro, além disso, é o símbolo do município, presente na bandeira da cidade há 120 anos. De acordo com dados do Instituto Boto Cinza (IBC), a população, que já foi de 1.290 animais em 2002 e 2003 na região, hoje em dia não chega a 800.

Dentre as diversas ameaças aos mamíferos, as principais são: captura acidental, a poluição do ambiente e o aumento do tráfego de embarcações, o desenvolvimento portuário, industrial e urbano nas regiões costeiras, além da ausência de fiscalização por parte dos órgãos responsáveis. Todos esses fatores geram um quadro insustentável para a quinta maior baía do país. Com isso, os botos sofrem influência direta destas adversidades em seu habitat.

Diferentemente da Baía de Guanabara, no centro da polêmicas das provas da Olimpíada, a Baía de Sepetiba está longe dos olhos do mundo e só atrai atenção quando tragédias como esta acontecem. A região não tem recebido investimentos, e mesmo com a criação da Área de Proteção Ambiental Marinha Boto-Cinza, pelo Município de Mangaratiba, nenhuma ação efetiva foi providenciada até hoje.

A situação é tão grave que o Ministério Público Federal estima que, se nada for feito de imediato, em dez anos o boto-cinza desaparecerá de vez da região. Diante deste cenário, a Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj, cumpre um papel fundamental que é o de fiscalizar e buscar soluções para que este problema ambiental seja sanado. Precisamos cobrar das autoridades um plano de gerenciamento costeiro eficaz, para que Sepetiba continue sendo um dos maiores berçários de vida marinha do mundo.

Thiago Pampolha é deputado estadual pelo PTC

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