Jaguar: O gourmet glutão

Foi Millôr Fernandes (talvez seu último texto publicado) quem fez o prefácio do livro recém-lançado “Memórias Gastronômicas e não só”, de Francisco Paula Freitas

Por O Dia

Rio - Foi Millôr Fernandes (talvez seu último texto publicado) quem fez o prefácio do livro recém-lançado “Memórias Gastronômicas e não só”, de Francisco Paula Freitas (Dama Comunicação). Por quê? Porque ambos nasceram no Méier? Ou ficou perplexo porque um alto executivo de uma grande empresa, que cuidava de cálculos de previsões orçamentárias, busca de faturamento, coordenação de grupos, análises de pesquisas, fizesse um livro tão singular?

Ainda mais – é o próprio Chico quem confessa – sequer sabia datilografia; escrevia “com lápis número dois, borracha e papel sem pauta”. Talvez Millôr tenha ficado intrigado com um verso de Augusto dos Anjos que abre o livro: “Sou uma sombra! Venho de outras eras”... Millôr pegou a deixa e deu ao seu prefácio o título: “A Sombra que caminha”. Apenas o aval de Millôr, que nos deixou há quatro anos, já seria a glória. Mas tem mais: quem escreve a orelha do livro é Jânio de Freitas: “Ao sair pelo Rio em busca dos aromas e gostos e ambientes que conhecera, Chico Paula Freitas identificou um sentimento humano talvez ignorado pela ciência: a saudade gastronônica.” E tem outro prefácio, de Cícero Sandroni, da ABL: “Não sei, mas talvez seja o nosso novo Luiz Edmundo, autor do Rio de Janeiro do meu tempo, agora à maneira de Proust em busca do que restou daqueles anos do cabrito assado com coradas do Antigo Capela, no Largo da Lapa.” Na contracapa, depoimentos de, entre muitos, Darcy Ribeiro, Antonio Houaiss, Fausto Wolff, João Antonio, Chico Caruso, Benício Medeiros, Luiz Carlos da Vila, Manoel de Barros e Wilson Martins. Do Millôr, um trecho do seu longo prefácio: “A narrativa do Chico, da melhor qualidade literária, “histórica”?, sei lá, é comovente. Como sou contemporâneo, no livro me encontro com ele em inúmeros lugares em que nunca encontrei com ele. Nas ruas, nos edifícios, no Rio Minho, no Timpanas, no Yankee, no Pardelas, no Zicartola, no bolinho de bacalhau edulcorado pelo tempo, em lugares que já desapareceram, mas na memória permanecem mais vivos, comos sombras transparentes, debaixo de edificações que se fizeram sobre eles. Chico, a sua sombra, passeia quase sempre melancolicamente (é impossível evitar a pátina do passado) descrevendo pessoas, amigos, conhecidos, todos os que eram famosos no pequeno terreno geográfico em que vivíamos. A fama é perto. Mas, além da descrição de locais, de comportamento e ‘modus vivendi’ que muitos já fizeram à sua maneira, Chico é único no conhecimento ( sem frescuras ) de comes e bebes.”

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