Aristoteles Drummond: Aécio e Sérgio Cabral

Tem muita coisa para ser apurada e culpados a ser punidos. Deixemos os realizadores em paz!

Por O Dia

Rio - No momento em que o país está empenhado no sucesso das investigações da Polícia Federal, avanços, em operações como a Lava Jato, se devem as delações premiadas. Mas é preciso preservar a credibilidade da ação para impedir a impunidade.

As delações são positivas; facilitam apurações, mas devem ser analisadas com muito critério. O uso e abuso político atentam contra a democracia e colocam em risco este positivo ato de passar a limpo a vida pública brasileira.

Com mais de meio século de jornalismo, participando da política nacional desde a mocidade, seria indigna a omissão diante de um sentimento com base em convicção consolidada. Estranho a obsessão de certos setores em envolver o senador Aécio Neves em malfeitos em Furnas, estando ele há mais de doze anos na oposição.

O diretor citado, Dimas Toledo, é funcionário de carreira, tendo chegado por mérito a diretor e, por fim, a presidente. É mineiro, e como tal gosta de política. O filho Dimas Fabiano (PP-MG) foi vereador, deputado estadual e hoje é deputado federal. Furnas atua em Minas, seu berço, natural que o senador e o ex-diretor se conheçam. E ponto final.

Aécio foi oito anos governador de Minas, fez impressionante obra e, se fosse de prevaricar, teria feito em seu estado, o que nunca foi questionado pelo Tribunal de Contas, Assembleia e Judiciário. Logo, tem razão o juiz que mandou reexaminar a denúncia leviana, na base “do ouvir dizer”.

Outro acusado por “ouvir dizer”, o ex-governador do Rio Sergio Cabral é o arquiteto desta obra fantástica envolvendo o estado, a capital onde montou a eleição e reeleição do prefeito Eduardo Paes. Além disso, foi decisivo para a Copa de 2014 e Olimpíada 2016. Hoje, sofre acusação com as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e a Assembleia.

Deveria merecer homenagens da sociedade que resgatou da decadência, ética e moral. Explora-se de forma grosseira normal momento de descontração, em jantar com amigos, numa das suas viagens a serviço da causa fluminense. Curioso seria se tivesse obtido os eventos, os trens, sem sair do Palácio.

Parafraseando JK, Deus poupou-me o sentimento do medo, inclusive o de dizer – e escrever – o que tenho como verdade. Tem muita coisa para ser apurada e culpados a ser punidos. Deixemos os realizadores em paz!

Aristoteles Drummond é jornalista

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