Roberto Muylaert: Ela não sabe que não sabe

O que os políticos pretendem agora é melar o programa de delações que colocou na cadeia pela primeira vez um bando de gente influente

Por O Dia

Rio - Com a infinidade de irregularidades de que o Brasil tomou conhecimento de três anos para cá, nada mais nojento do que subornar funcionários do Ministério da Agricultura para facilitar a venda de carne estragada. E até nos produtos contaminados estavam carimbadas as siglas de dois partidos, PP e PMDB.

O que os políticos pretendem agora é melar o programa de delações que colocou na cadeia pela primeira vez um bando de gente influente, inclusive o incansável e prepotente escudeiro e sucessor de Lula, José Dirceu, apanhado no início do primeiro tempo do Mensalão. Embora ladrão seja sempre ladrão, um ladrão com ideologia afiada na ‘defesa do povo’ choca mais ao ser desmascarado.

É diferente do primeiro escalão de Temer, que se decompõe gradualmente, a tramar artimanhas em benefício próprio e de seu grupo, mas sem viés ideológico. E, para aprovar projetos inadiáveis, só sabem dar vantagens aos velhos companheiros congressistas, a maioria já processada.

Na Lava Jato, as acusações abrangem outras siglas além do PT, este sim o grande responsável pelo estado de insolvência moral e econômica a que chegamos.
Apesar da sujeira ter se espalhado para todo lado, não vamos nos iludir, o PT foi o partido que sistematizou a corrupção. Quando o mau exemplo vem de cima, abre portas para que todos se locupletem do banquete espúrio.

Os primeiros quatro anos de Lula na Presidência foram bons, com uma vontade política concreta de acabar com a miséria absoluta, mantendo uma lógica na condução da economia.

Com o Mensalão, a coisa começou a complicar para o lado do governo, ficando claro que a máquina do PT funcionava em causa própria, com valores respeitáveis de esvaziamento dos cofres públicos.

No governo Dilma, chegou-se ao paradigma do fracasso, com medidas econômicas estapafúrdias e a quase liquidação da Petrobras. O partido com 13 anos no poder levou ao pé da letra, e em causa própria, o lema “o petróleo é nosso”.

Dilma mostrou que domina a economia como fala francês. E o pior, ela não sabe que não sabe. Agora, quando a podridão vem à tona, assim como a carne estragada, está na hora de o PT deixar de tentar dividir o ônus da inviabilização do país com outros partidos, que também são picaretas, mas não chegam nem perto, ao provocar estragos.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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