Cadri Massuda: Parceria entre planos e SUS seria solução

Nos últimos 18 meses, 2,1 milhões de associados deixaram de contar com a assistência de saúde privada e passaram a depender da rede pública

Por O Dia

Rio - A crise tem feito os brasileiros cortarem custos. Os planos de saúde, apontados como o terceiro item na lista dos desejos dos brasileiros, representam um dos setores mais afetados. Nos últimos 18 meses, 2,1 milhões de associados deixaram de contar com a assistência de saúde privada e passaram a depender da rede pública.

Como consequência, houve o aumento da demanda no SUS. Embora o governo não tenha realizado cortes no orçamento da saúde, o valor não é suficiente para oferecer um serviço de qualidade.

Muito pelo contrário, a falta de investimento no orçamento já representa um corte. Isso porque os custos na área crescem constantemente com novas tecnologias e medicamentos e aumento da longevidade. Estima-se que a inflação médica seja o dobro da inflação geral.

Os novos usuários representam a cada ano 12,6 milhões de consultas, 31,5 milhões deexames e 210 mil internações Fica evidente a urgência de maior investimento na saúde pública.

Tentando oferecer solução, o Ministério da Saúde lançou a ideia do “plano acessível”, um plano popular com cobertura restrita. Porém, a proposta vem recebendo críticas severas dos órgãos de defesa do consumidor, que alegam ser um retrocesso por cortar benefícios.

Aí entra nova discussão: o estímulo ao plano ambulatorial, que já é regulamentado e tem custo para o consumidor cerca de 30% menor, atendendo 95% das necessidades. Porém, a comercialização desse plano não é sustentável economicamente para as operadoras.

Porque quando ocorre um caso de emergência, o Judiciário determina que os planos atendam o paciente, mesmo que esse atendimento não esteja incluso no contrato. Por isso, o plano não é comercializado.

A solução é a criação de um “novo modelo” de parceria entre operadoras de saúde e governo federal. Elas voltariam a comercializar esse plano. Em caso de emergência dos beneficiários, estes poderiam optar pela rede pública ou privada. Neste último caso, o plano paga ao hospital, e é ressarcido pelo SUS.

O Estado já tem a função de oferecer o atendimento nas urgências e emergências. Mas a proposta traria para o SUS a economia de consultas e exames de milhares de brasileiros. A proposta é uma solução prática e viável.

Cadri Massuda é presidente da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde)

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