Carta atribuída a suspeito de participar de estupro pode mudar rumo do caso

Documento divulgado, na noite desta terça-feira, numa rede social seria de Raphael Assis Duarte Belo, 41 anos

Por O Dia

Carta seria de Raphael Assis Duarte Belo%2C 41 anos. Foragido da Justiça%2C ele pode ter participado do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos numa favela da Praça SecaWhatsApp O DIA (98762-8248)

Rio - Uma nova versão para o caso do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos é contada em uma carta divulgada, na noite desta terça-feira, numa página do Facebook. De acordo com o perfil "Jacarepaguá Notícias RJ", o documento seria de Raphael Assis Duarte Belo, 41 anos, foragido da Justiça, e teria sido entregue aos responsáveis pela página por uma ex-cunhada dele. Na carta, o homem negaria ser culpado pelo crime. Ele deve procurar a polícia para se entregar ainda nesta quarta-feira.

Na carta, o autor diz que, após ter a ideia de fazer uma matinê na quadra do Francão, localidade da comunidade São José Operáio, foi ao "Rodo" pedir autorização a traficantes. "Lá você tem que comunicar tudo que faz", diz o texto. "Peguei a moto, o Raí (de Souza, 22 anos - preso há dosi dias) subiu na minha garupa, e fomos lá", continua trecho do documento. Esta ida do rapaz ao Rodo teria ocorrido no domingo, 22 de maio, um dia após a jovem ter sido supostamente estuprada.

"Ao chegar em um beco, a direita, estava a casa abandonada, aberta, toda suja, fedendo a fezes, e com uma mulher nua. Um rapaz que estava perto, por apelido Jefinho, não o conheço, falou: 'Tem uma mulher ai que não quer ir embora. Tá desde o dia do baile'. Olhamos e entramos os três, ficamos entre a sala e o quarto. Ela estava deitada, nua, dormindo, muito suja e com os cabelos embolados. Parecia uma cracuda ou mendiga", diz trecho do documento.

"O Raí puxou o celular e começou a gravar. Ela começou a se mexer e acordar. Aí paramos e fomos embora. Não ficamos mais que o tempo da gravação na casa. O chuveiro estava aberto. O vizinho da casa de baixo subiu e falou que estava pingando na casa dele. Eu respondi: 'Entrei agora e já estou saindo'. Ele começou a tirar papel do box, fechou o chuveiro e saiu também. Nem olhou para a mulher", continua a descrição dos fatos.

"Eu queria sair logo da casa por causa do cheiro, que estava ruim. Sei que não se deve zombar de uma pessoa naquele estado, mas sou uma pessoa normal, passível de erros. Foi mais uma zoação, brincadeira, não machucamos ela nem fizemos qualquer tipo de sexo", segue o texto.

"Na quarta-feira, dia 25, na hora do almoço, parei para comer uma quentinha na esquina da rua Baronesa com Brício de Abreu, na porta do serralheiro. Quando estava comendo, parou um carro HB20 e deixou uma mulher desacordada na calçada onde eu estava. Comprei uma garrafa d'água, molhei os pulsos, nuca e cabeça dela. Aí, ela foi retornando os sentidos", conta a carta.

"Dei água para ela beber, comprei outra quentinha e dei para ela comer. Os moradores falaram que ela já tinha desmaiado duas vezes aquele dia e que, com aquela vez, era a terceira", afirma o texto.

No documento, o autor diz que a mulher era a mesma que estava na casa abandonada no domingo. "Eu não reconheci pois estava limpa e arrumada, e com os cabelos penteados. No bolso, havia dois frascos de loló. Peguei e joguei fora. Ela começou a passar mal. Perguntei se ela queria ir ao hospital e ela disse que não, que só queria descansar, e me perguntou: 'Cadê o carro para eu deitar?' Ofereci o meu que estava na nossa frente porque o que a deixou não estava mais ali. Coloquei ela no meu carro, comprei outra garrafa de água para ela, terminei de comer, manobrei o carro e deixei na porta do meu prédio, que fica a poucos metros dali, na esquina da Rua Brício de Abreu com Rua Barão. Deixei o vidro do carro um pouco aberto e voltei ao meu trabalho", relata o autor da carta.

"Quando começou a chover, voltei para o carro, que estava todo embaçado e com cheio de azedo, pois ela havia vomitado um pouco. Perguntei se ela queria ir para casa. Ela disse que queria ficar pois iria recuperar o seu celular, que foi roubado, e que já tinha falado com o responsável do tráfico para ele tentar achar na comunidade. Ela me disse que só queria descansar um pouco mais", continua o documento.

"Perguntei se ela queria deitar um pouco e (sic) que eu estava na porta da minha casa e que mais tarde, depois do meu trabalho, eu levaria ela para sua casa. Ela aceitou, levei ela para casa e, como ela não havia comido nada da quentinha, fiz um pão com queijo e um copo de Nescau e dei a ela, que derramou na cama a metade. Me pediu 1000 desculpas e tomou o que sobrou. Falei para ela que não deixasse a porta aberta, para os meus gatos não fugirem, e voltei para a rua para trabalhar", explica o narrador da carta.

"Quando voltei da rua um tempo depois, tava tudo vomitado, o lado direito da cama e o lado esquerdo, e ela se sujou com vômito também. Botei ela para tomar banho, espremi shampoo na cabeça dela, fechei a porta do box e a porta do banheiro", diz o narrador da carta, frisando: "Ela tomou banho sozinha. Não ajudei!"

Ao longo da carta, o narrador segue falando que deixou a jovem em sua casa e seguiu para o trabalho. "Voltei para a rua para trabalhar, começaram a me mostrar a minha foto na Internet, as pessoas começaram a me olhar estranho na rua, meu tel não parou de tocar e chegar mensagens. Uma pessoa me parou na rua e me chamou de tarado", narra o texto.

Confira na publicação mais detalhes sobre a carta:

Últimas de Rio De Janeiro