Apoio a Crivella evidencia racha no PSB do Rio

Apesar de o partido integrar a chapa de Indio da Costa, um grupo oficializou o suporte ao senador

Por O Dia

Rio - Um grupo do PSB oficializou, nesta terça-feira, o apoio ao senador Marcelo Crivella (PRB) na disputa pela prefeitura do Rio. Encontro na sede do PRB selou o acordo, que, segundo o articulador Marcos San, não envolveu negociação de cargos. "Estamos com Crivella por sua capacidade administrativa, política e, sobretudo, moral", alegou. A posição oficial do PSB é de apoio a Indio da Costa (PSD), que tem como vice de sua chapa o pessebista Hugo Leal.  

San, que era vice-presidente estadual do partido, mas foi expulso nesta segunda-feira por não concordar com a coligação, critica a suposta guinada à direita da legenda — algo que associa ao presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira. "O PSB virou o Partido Siqueirista Brasileiro", brincou. O senador Romário, de quem San é chefe de gabinete, vem conversando há tempos com pessoas envolvidas na campanha do senador do PRB.  

Grupo do PSB oficializou apoio a Crivella Divulgação

Como noticiou o Informe do DIA desta terça-feira, Romário espera o fim do prazo de alteração da nominata de prefeitos, nesta quarta-feira, para declarar oficialmente o apoio. Ele teme represália de Leal, que poderia prejudicar articulações do ex-jogador em outros municípios. O acordo deve ser anunciado nesta quinta-feira. "Não acredito na transferência de voto do Romário", minimizou Indio da Costa.  

Leal, que também é presidente estadual do partido, repudiou a atitude do candidato a vereador Luiz Salomão, que, na sede do PRB, classificou Indio como de extrema-direita. No entanto, ele não se surpreendeu com o apoio da turma de Romário. "Era a posição deles desde o início. Vamos analisar a situação para avaliar as consequências."  

O posicionamento de Leal foi reforçado pelo integrante do diretório nacional Joilson Cardoso. "Medidas cabíveis serão tomadas pela direção partidária. Temos um estatuto que diz que nenhum filiado pode apoiar candidatos por fora", disse Cardoso, que cravou: "É um grupo que não tem representatividade nenhuma." 

Racha não é novidade 

No dia 4 de agosto, a convenção do PSB em que Indio convidou Leal oficialmente para ser seu vice terminou em confusão. Marcado para selar este apoio ou uma parceria com Pedro Paulo (PMDB), o encontro tomou rumos inesperados após Marcos San sugerir a coligação com o bispo.  

Sem desfecho, uma nova convenção teve de ser marcada para o dia seguinte, no limite do prazo exigido pelo TSE, quando foi definida a chapa com Indio.  O suporte dos socialistas passou a ser disputado após Romário desistir da candidatura própria.  

Guinada à direita já motivou saídas  

Recentemente, o PSB perdeu dois quadros fortes no Congresso Nacional: os deputados Glauber Braga, hoje candidato a prefeito de Nova Friburgo pelo Psol, e Luiza Erundina, candidata à prefeitura da capital paulista também pelo Psol. Braga preferiu não opinar sobre o atual cenário pessebista no Rio. 

"A avaliação tem que ser feita pela militância", indicou o deputado, que deixou a sigla em setembro de 2015 alegando descumprimento do programa partidário e perseguição política. As acusações envolvem, inclusive, Romário, presidente estadual na época.  

Erundina abandonou o partido em março deste ano, inconformada com a guinada à direita. Em 2014, ela classificou o apoio da sigla ao tucano Aécio Neves, candidato a presidente da República, como "incoerente" e "vexatório". A mesma atitude também provocou a renúncia do ex-presidente nacional do partido, Roberto Amaral, figura emblemática dos socialistas — que já tiveram, ao longo da história, nomes como Miguel Arraes e Evandro Lins e Silva. 

Reportagem do estagiário Caio Sartori

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