Criação de seis linhas de barcas retiraria 35 mil veículos das ruas, diz estudo

Segundo a Firjan, o impacto na economia com redução dos custos dos congestionamentos seria em torno de R$ 4 bilhões por ano

Por O Dia

Congestionamento no sentido Rio paralisou Niterói e teve reflexos de até 20 quilômetros na Rodovia BR-101Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

Rio - Estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) indica que a criação de seis novas linhas de barcas entre o Rio, Niterói e São Gonçalo retiraria mais de 35 mil veículos das ruas, diariamente. Isso reduziria os engarrafamentos na Região Metropolitana em aproximadamente 30 quilômetros. Além de melhorar a vida de passageiros, o impacto na economia com a redução dos custos provocados pelos congestionamentos seria em torno de R$ 4 bilhões, por ano.

Quando inaugurada, em março de 1974, a previsão de volume diário da Ponte Rio-Niterói era de 15,8 mil veículos/dia. Segundo a Ecoponte, atualmente, 150 mil veículos passam, diariamente, pelos dois sentidos da via.

?Ônibus bate em caminhão-guincho, fecha via e dá nó no trânsito

Josely Valdevino Vasconcelos, 36 anos, mora no município de Itaboraí e trabalha em Icaraí, na cidade de Niterói. A distância de 30 quilômetros é percorrida, normalmente, em uma hora, já que ela pega duas conduções. Entretanto, ontem, Josely levou mais de três horas para chegar ao emprego. “Dormia, acordava, dormia de novo e a van continuava no mesmo lugar. O motorista chegou a desligar o carro”, conta Josely.

Ela é apenas uma das milhares de fluminenses que perderam horas de seu dia útil parada no engarrafamento provocado por um acidente na Ponte Rio-Niterói, na manhã de ontem. A batida entre um ônibus da Viação Coesa e um guincho da concessionária Ecoponte, que socorria um carro enguiçado, feriu 20 pessoas, sendo que 12 delas tiveram que ser medicadas em hospitais de Niterói. E ainda lesionou seriamente o trânsito em toda a região.

A travessia de 13 quilômetros entre o Rio e Niterói, que leva em média 13 minutos, era feita em duas horas. “Foi uma situação de alta complexidade, pois envolvia dois veículos pesados. E a nossa prioridade sempre é o atendimento às vítimas”, justificou o gerente de operação da Ecoponte, Júlio Amorim.

As consequências do acidente foram muito mais sentidas dentro de Niterói, que praticamente parou. Pelas redes sociais, a NitTrans, empresa de trânsito e transportes da cidade, orientava as pessoas a irem de barca para o Rio.

Na BR-101, segundo a concessionária Autopista Fluminense, foram 20 quilômetros de congestionamento. Para o professor de Engenharia Civil da UFF e doutor em Engenharia de Transporte pela Coppe, Walber Paschoal da Silva, é preciso investimento em transporte alternativo ao rodoviário. “Projetos de barcas para São Gonçalo, bem como a construção da Linha 3 do Metrô até Itaboraí nunca saíram do papel”, diz o professor, afirmando que do jeito que está “não tem como escapar”.

Opção por baixo da água

O projeto original da linha 3 do metrô, que previa a construção de um túnel por baixo da Baía de Guanabara, ligando o Rio a Niterói, é a mais fantástica alternativa ao esgotado modal rodoviário que une as duas cidades. A versão reduzida levaria o metrô só de Niterói a Itaboraí, passando por São Gonçalo, e foi prometida no Governo de Sérgio Cabral, mas também nunca saiu do papel. O fluxo de deslocamento para trabalho ou estudo entre São Gonçalo e Niterói é de 120 mil pessoas/dia, segundo o IBGE. Perde apenas para o fluxo entre Guarulhos e São Paulo, de 146 mil.

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