Cada deputado da Alerj pode ter até 20 funcionários comissionados

Alguns cargos são dividos, lotando gabinetes de futuros cabos eleitorais. Gasto com auxílio-educação de comissionados é de R$ 1,7 milhão

Por O Dia

Rio - O gasto da Assembleia Legislativa com o pagamento de auxílio-educação para comissionados que atuam em gabinetes de deputados só chega a R$ 1.795 milhão mensais por um motivo: em tese, cada parlamentar tem direito a 20 funcionários, mas não é isso o que ocorre na prática. O valor, referente a 1.706 bolsas, foi divulgado nesta quinta-feira pela coluna Informe do DIA, e mostra que crise na Educação não atinge a Alerj.

Dos 20 cargos a que cada gabinete tem direito, nove podem ser desmembrados em outros menores. É possível pegar um cargo com salário alto, por exemplo, e dividir por outros com remuneração mais baixa. Muitas vezes, a medida serve para preencher as salas de deputados com pessoas que, futuramente, vão trabalhar em suas campanhas eleitorais.

Alerj gasta até R%24 1%2C8 milhão por mês com bolsas para filhos de comissionados dos gabinetes. Cada deputado pode ter 20 funcionáriosDivulgação

Na Alerj, há 22 gabinetes de deputados em que a bolsa, no valor de R$ 1.052,34, foi requisitada por mais de 20 servidores. Na equipe de Jorge Felippe Neto (DEM), por exemplo, foram 33. Mas o gasto mais alto fica por conta de Renato Cozzolino (PR). A sua equipe é a que mais conta com funcionários que pediram o benefício para dois filhos — a bolsa, que serve para pagar a creches, escolas e faculdades particulares, é permitida para até dois estudantes com menos de 25 anos. Com isso o número de bolsas no gabinete de Cozzolino chega a 51, representando um gasto mensal de R$ 53,6 mil só com o benefício.

Os gabinetes das 27 lideranças, 26 partidárias e uma do Governo, contam com mais cinco cargos cada e também têm direito ao benefício. O gasto representa R$ 79,9 mil. Os dados são públicos e foram obtidos via Serviço de Informação ao Cidadão, no site da Alerj.

Em 2008, fraudes no auxílio-educação renderam a cassação de duas deputadas: Renata do Posto e Jane Cozzolino, mãe de Renato Cozzolino. Renato disse que, em 2015, votou a favor da redução do número de bolsas por funcionário (de três para dois). “Pela regra, quem requer o auxílio hoje é o próprio servidor. Não procuro saber se os meus contratados têm filho em idade escolar.”

Três acusados conseguiram se livrar da cassação em 2008, entre eles o atual deputado João Peixoto (PSDC).

O gabinete de Peixoto responde hoje por 49 requerimentos de bolsas, o segundo que mais pede, atrás apenas do de Renato. O DIA entrou em contato com o gabinete de Peixoto no fim da tarde de ontem, mas não obteve retorno. Como o valor da bolsa é estipulado pela menor faixa do piso regional definido por lei, os gastos da Alerj com o benefício podem chegar a R$ 1,938 milhão caso Pezão sancione o reajuste.

Últimas de Rio De Janeiro