Número de homicídios dolosos é o mais elevado em nove anos no Rio

Roubo de veículos atinge o nível mais alto da série histórica

Por O Dia

Rio - Moradora da comunidade da Casa Branca, na Tijuca, Fátima Diniz, de 50 anos, seguia para consulta médica na manhã de ontem quando foi baleada na perna direita. O disparo partiu de um troca de tiros entre PMs e quatro criminosos que tentaram roubar uma moto na esquina das ruas João Paulo Primeiro e Matoso.

O caso decorre de uma modalidade de crime que não para de crescer. O roubo de veículos, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto de Segurança Pública, bateu recorde histórico (desde 1991, quando começou o levantamento): foram 4.287 veículos em fevereiro.

A poucos metros de onde Fátima foi baleada ontem%2C na Tijuca%2C há uma cabine da PM abandonadaEstefan Radovicz / Agência O Dia

A ação que culminou com Fátima ferida aconteceu em frente a uma cabine da PM que está vazia há pelo menos dois anos, segundo moradores. Após ser ferida, ela ainda caminhou 500 metros até cair na porta de um bar e ser levada para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, onde se recupera.

“Ela sempre passa pelo local. A minha cunhada faz atendimento médico lá pelo menos uma vez por semana. Não temos mais segurança. Na verdade não temos nada nesse estado. Esse tipo de crime revolta a gente. Saímos de casa e não sabemos se vamos voltar”, conta o porteiro Edmilson Carvalho da Silva, de 56 anos, que é cunhado da vítima.

Assalto na Tijuca assusta moradoresFotos%3A Estefan Radovicz/Agência O Dia

Silva diz, ainda, que há mais de 10 anos perdeu um parente vítima de bala perdida. Na ocasião, ele também morava na Comunidade da Casa Branca, e foi atingido em sua residência. “O marido da minha irmã estava dentro de casa quando tomou um tiro. Até hoje isso não sai da minha cabeça. Para você ver, a gente não está seguro nem dentro de casa”, finaliza.

Outros dados do ISP apontam o aumento da criminalidade no Rio. No mês de fevereiro, foram registradas 502 vítimas de homicídio doloso no Estado do Rio. Esse número indica aumento de 98 vítimas em relação ao mesmo mês de 2016, ou seja 24,3%. Em relação ao mês de janeiro de 2017, foram 26 vítimas a mais. É o maior índice registrado em nove anos.

As mortes em confrontos com a polícia também aumentaram em fevereiro: foram 84 vítimas de homicídio decorrente de oposição à intervenção policial no estado. Esse número representa um acréscimo de 35 vítimas em relação ao mesmo mês de 2016, ou 71% a mais. Já em relação ao mês de janeiro foram 14 mortes a menos.

A atividade policial, em contrapartida, teve diminuição em todos os índices aferidos pelo órgão. Prisões em flagrante caíram 33,2% e o número de armas apreendidas, 25,9%, no mês de fevereiro em relação ao mesmo período de 2016.  Procurada, a Secretaria de Segurança Pública disse que não iria se manifestar sobre os índices.

Já a Polícia Militar reconheceu, em nota, que há um estouro na criminalidade e que a situação não depende somente da corporação:  “A Polícia Militar vem mês a mês perdendo recursos humanos e materiais. Nossa mobilidade tem sido comprometida, dificultando o serviço preventivo, e a consequência direta é um maior enfrentamento. Somam-se a isso, os mais de 30 mil mandados de prisão em aberto não cumpridos no estado e as audiências de custódia que têm colocado em liberdade pessoas que são reiteradamente presas pela Polícia Militar. E que, até a presente data, a Corporação tem mais de 100 fuzis apreendidos. Mais fuzis que dias no ano. Esses dados refletem um cenário que não depende apenas de nós para ser revertido”, informou a nota. 

Sete vítimas de feminicídio em fevereiro

O ISP divulga desde janeiro o número de feminicídios (quando uma mulher é morta e ação é motivada por ódio ao seu gênero). No mês de fevereiro sete mulheres foram mortas em crimes de ódio, o mesmo número foi registrado em janeiro deste ano.

Ontem, o governador Luiz Fernando Pezão promulgou a Lei 7.538/2017 que prevê a aplicação de multa ao agressor que cometer violência doméstica ou familiar contra a mulher. O texto foi publicado no Diário Oficial e os valores obtidos pelo estado com as sanções serão aplicados em políticas públicas voltadas à redução da violência contra a mulher.

“A nova legislação estipula a multa ao agressor como uma forma de ressarcimento pela utilização dos serviços públicos de emergência acionados para atender a vítima, como atendimento médico, perícia, exame de corpo de delito, policiamento ostensivo e polícia judiciária”, disse em nota, o governo. As multas serão objeto de regulamentação.

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