Comerciantes de Barra do Piraí querem cobrar 0,5% por água bombeada

Abastecimento de água para a capital deixa desertificação de 100 quilômetros em rio, que bombeia 80% da torrente

Por O Dia

Rio - Às margens do Rio Paraíba do Sul, em Barra do Piraí, um homem joga a vara para pescar tilápia, dez metros abaixo do muro no centro da cidade. A cena é um retrato da realidade local. O município tem uma das maiores produções de peixe do estado, responsável pelo estoque mensal de 15 toneladas da espécie. Mas o nível baixo da torrente, que abastece as torneiras dos moradores da Região Metropolitana do Rio, motivou uma proposta de cobrança pelo que seriam os ‘royalties da água’.

A ideia foi debatida em um grupo de discussões formado por 27 comerciantes locais e conduzida por pesquisadores da FGV Projetos durante a quinta etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio, em Barra do Piraí. Foram dois dias de painéis e discussões no evento, idealizado pelo Sistema Fecomércio RJ, encerrado na tarde desta sexta-feira. Os empresários pretendem levar a sugestão à Câmara dos Deputados.

O nível baixo das águas do Paraíba do Sul%2C em Barra do Piraí%2C motivou a iniciativa de pedir recompensa sobre as perdasDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

É possível atravessar o rio com a água até o joelho. Não tem indústria porque não tem de onde tirar a água. Isso afeta toda a região. A solução é cobrar, porque precisamos fazer rede de esgoto e reflorestar”, explica o empresário Orlando Pimentel, presidente do Sindicato Varejista do Comércio (Sicomércio) da Barra do Piraí e idealizador da proposta.

A elevatória Santa Cecília, construída no fim da década de 40, bombeia 80% da água do Paraíba do Sul para o Rio Guandu, que abastece as torneiras da Região Metropolitana do Rio. Como efeito colateral, deixa extensa área de 100 quilômetros de desertificação do Paraíba do Sul, atingindo Barra do Piraí, Vassouras e Paraíba do Sul. Os empresários também pretendem sugerir repasse de verbas federais e estaduais usadas na recuperação da Baía de Guanabara.

Os comerciantes locais apresentaram 64 sugestões no Mapa. Além da cobrança de ‘royalties da água’, eles também pretendem estimular a valorização do potencial turístico em torno do cultivo da tilápia e da chegada de três fabricantes de cerveja artesanal ainda neste ano. A cidade pretende atrair turistas para Ipiabas no festival gastronômico, em agosto.

O comércio também aposta em outra tendência: a criação de um polo audiovisual. Nos últimos seis anos, foram 17 produções de filmes nacionais em Barra do Piraí e o desenvolvimento de um projeto que leva o cinema para a sala de aula. É o “Luz, Câmera e Educação”, que traz oficinas de produção cinematográfica a escolas públicas e particulares. Como resultado, surge uma nova mão de obra para as próprias produções feitas na cidade.

Neste sábado, termina o Festival Internacional Estudantil de Cinema, com exibições de 20 filmes produzidos em sala de aula, que colocam nas telas a realidade de uma cidade que mistura cinema, tilápia, comércio e turismo no mesmo roteiro.

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