Itaperuna quer ampliar produção de leite

Cidade é responsável por 27% do produto consumido no estado. Projeto propõe soluções para chegar a 50%

Por O Dia

Rio - O desenvolvimento de Itaperuna, cidade de pouco mais de 100 mil habitantes no Noroeste Fluminense, passa pela produção de laticínios. O município, que sedia a oitava etapa regional do Mapa Estratégico do Comércio, do Sistema Fecomércio RJ, é responsável pela produção de 27% do leite do estado. Mas a perspectiva é que o leite industrializado na cidade represente metade de toda a produção do estado. O evento começou ontem e termina na tarde de hoje, reunindo empresários locais.

A proposta foi apresentada ontem à noite no grupo de trabalho, num documento de seis páginas elaborado pelo engenheiro agrônomo Décio Zampiér, professor na Universidade Iguaçu (Unig). “O nosso leite é consumido nos municípios da regiãi. E o excedente vai para a capital. Precisamos ampliar a produtividade com manejo do rebanho, melhoramento genético, de alimentos e sanitário”, propõe. Para isso, diz ele, é preciso que seja feita uma gestão da propriedade rural. “Como uma empresa no mundo globalizado. Mas para isso, é preciso trazer uma tecnologia de ponta para o setor”, destacou.

Itaperuna tem réplica da estátua do Cristo%2C que pode ser usada para ajudar a alavancar o turismo na regiãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

O documento indica que o agronegócio é responsável por 4,5 mil empregos diretos, o que equivale a 6% da economia do município. Só o setor de laticínios emprega mais de mil desses trabalhadores, setor com cerca de 800 produtores e que gera receita anual de R$ 77 milhões, somando três empresas de grande porte e outras menores e artesanais.

Como o estado produz apenas 20% do que consome e acaba importando leite de outros estados, o crescimento do setor teria um reflexo direto na receita, segundo Zampiér. O engenheiro agrônomo acredita que essas melhorias gerariam um acréscimo de 50% na gcriação de novos empregos. Estudos vêm sendo desenvolvidos pela Unig há cinco anos, com acompanhamento da produção e melhorias graduais. “O maior desafio é aumentar a produção e a produtividade. A receita dobraria”, prevê.

Para o empresário Edmilson Ladeira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Itaperuna, o setor é apenas um dos que podem ajudar a potencializar o desenvolvimento local. “Estamos vivendo um momento histórico por causa de um projeto capaz de interligar e unir todo o estado. Isso traz uma nova perspectiva para fazer com que essa discussão de ideias não fique apenas no papel. Vamos buscar ações que cheguem até a sociedade”, projeta.

Seminário reuniu três prefeitos

A chegada do Mapa do Comércio no Noroeste Fluminense mobilizou empresários e representantes do poder público da região. Além do prefeito anfitrião, Alfredo Paulo Marques Rodrigues, o Alfredão, o evento atraiu as prefeitas Miriam Magda, de Porciúncula, e Maria das Graças Ferreira Motta, de Bom Jesus do Itapapoana.

Alfredão acredita que há potencial para o crescimento em Itaperuna. Mas a ideia deve ser produzir para fora da região. “Temos uma forte produção de carne seca, de bermudas, da pecuária leiteira e confecções. O nosso setor de saúde é referência no estado e no país. Moramos numa região onde há segurança, o que atrai empresários dos grandes centros para cá. Temos um comércio forte, que abrange a região toda. O nosso desafio é conseguir vender o que produzimos além da região”, analisa.

Itaperuna é o centro econômico da região, que engloba 13 cidades, num raio de 70 km na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Mas atrai pessoas de lugares mais distantes para o distrito de Raposo, onde há reservas de águas minerais e hotéis voltados para a terceira idade. No Centro da cidade, uma das atrações é a réplica do Cristo Redentor.

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