Uma boa leitura

O recente romance de Umberto Eco gira em torno de um grupo de jornalistas gestando uma publicação sensacionalista com fins meio pilantras, numa era pré-internet

Por O Dia

Muita gente já escreveu sobre o ‘Número zero’, o mais recente romance do Umberto Eco, que acaba de chegar por aqui pela Editora Record. Gira em torno de um grupo de jornalistas gestando uma publicação sensacionalista com fins meio pilantras, numa era pré-internet. Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, o italiano me cutucou questões importantes sobre nosso tempo, tão centrado na explosão da mídia e das redes sociais, e nos seus inúmeros desacertos. Não é nada científico, claro. São apenas impressões de viagem.

O primeiro ponto que me chamou atenção foi que a forte presença do jornalismo sensacionalista (depois reforçada pela internet) e a democratização dos meios de informação foram, certamente, os pais dessa praga chamada selfie, que é a versão fotográfica dos diários adolescentes e das ‘autobiografices’, dos posts de facebook etc. É uma espécie de sensacionalismo de si mesmo, do tipo ‘falem mal, mas falem de mim’, espalhando o seu ego de superfície, porque as próprias profundezas ninguém exibe — seja por vergonha, seja pela sua própria inexistência... Esse fenômeno fica bem claro no Facebook nosso de cada dia.

E, se é verdade que tendemos a copiar o padrão de mídia a que estamos submetidos desde sempre, vamos mergulhar, inevitavelmente, na exibição de nós mesmos, urbi et orbi, sempre à espera de aplausos e reconhecimento, nunca de críticas. As críticas, quando surgirem, serão devidamente deletadas ou, na melhor das hipóteses, classificadas como inveja alheia. Mais uma vez, é um comportamento bastante comum no Facebook.

O livro também reforça a ideia de que a cultura do debate não existe mais. Por motivos vários, vivemos sempre no É ou NÃO É. Não existe mais um meio termo que dê chance ao diálogo, à troca de ideias e, eventualmente, à mudança de pontos de vista. Esse pensamento binário em que vivemos, como diz o Umberto Galimberti em outro contexto, não é nada inteligente. Pode ser prático e deve economizar tempo para outras confusões, mas não cobre a totalidade do conjunto analisado. E a opinião alheia se torna, necessariamente, antítese à opinião. Não há semitons.

Outro ponto curioso: Umberto Eco retrata o lado mais safado da chamada imprensa marrom, pensada sob medida para criar intrigas em benefício dos acionistas que controlam a publicação — tudo, entretanto, sob o disfarce de imprensa democrática. Mas democracia é um conceito romântico quando o controle se dá por um grupo que, naturalmente, tem seus próprios interesses de mercado. Mais do que ideologia, o que manda é economia. É esta quem direciona a pauta. Política deixou de ser o centro de comando. O que vale, hoje, é a tecnocracia — e isso tem tudo a ver com a gente aqui da tecnologia, ou não?

No fim das contas, Eco também faz nossa cabeça facebuquiana lembrar que todo fato tem várias versões. Só que a versão a ser publicada — seja no seu Facebook, no seu blog ou no seu jornal — é a mais conveniente ao seu mercado, não necessariamente à sua ideologia. Esta é uma questão apenas técnica: identificar o que quer ouvir/ler/ver o público com quem você está falando.
Enfim, ficam aqui apenas os rascunhos iniciais de uma resenha decente a ser feita qualquer hora dessas. Ou não.

Um jeito original de proteger a natureza

Olha que interessante a ideia do arborclub.com.br. A turma lá quer incentivar ações de preservação ambiental através da internet. A primeira delas, que já está no ar, é um marketplace onde toda a comissão do site é revertida para o plantio de árvores. E como funciona isso? “Digamos que você queira comprar uma TV”, explica o Claucio Xavier, sócio-fundador da empresa. “Você entra no nosso site, procura por esse produto ou pela loja de sua preferência, e o site vai redirecioná-lo para o site do vendedor. Nós ganhamos uma comissão e doamos o valor integral para uma ONG de plantio de árvores.”

É uma proposta deveras ousada. O Claucio lembra que o comprador não paga nada mais por isso. Ele desembolsa exatamente o mesmo valor indicado na loja online.

O diretor explica: “Na nossa opinião, todo mundo quer ajudar o meio ambiente, e dificilmente nós vamos ver alguém que seja contra essa causa. Mas, ao mesmo tempo, quase ninguém tem disponibilidade para isso. Por isso, nossa intenção é ‘terceirizar’ essas ações verdes para as pessoas.”
Vamos torcer pra dar tudo certo.

Uma boa sacada do time da Claro

A Claro fechou o patrocínio da fase final da Liga Mundial de Vôlei masculina, no Maracanãzinho, entre 15 e 19 de julho. E reforçou o sinal em todo o ginásio instalando antenas provisórias. A operadora também é uma das marcas oficiais dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.


Últimas de _legado_Notícia