Por monica.lima

Bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, diz que apoio é contraponto à perda de base de Marina SilvaPatricia Stavis/Agência O Dia

A decisão da candidata Marina Silva (PSB) de alterar o texto de seu programa de governo no capítulo sobre direitos dos homossexuais pode ter lhe trazido prejuízos eleitorais entre intelectuais e militantes LGBT, mas já começa a dar resultado entre os evangélicos. Ontem, o bispo e ex-deputado Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra — que tem 1,1 milhão de fiéis —, anunciou apoio à candidata. Ele afirmou que irá votar e orientar o voto na ex-ministra. Rodovalho é um dos líderes da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), que defende uma posição em conjunto dos evangélicos no apoio a um candidato à presidência. “É muito importante dar o apoio a Marina nesse momento. Ela perdeu uma certa base e estamos dando esse contraponto”, explicou o bispo.

As maiores igrejas evangélicas já têm candidatos escolhidos. A Universal do Reino de Deus vai de Dilma. As Assembleias de Deus (dos ministérios de Belém e Madureira) e a Vitória em Cristo, do pastor Silas Malafaia, anunciaram apoio ao presidenciável Pastor Everaldo (PSC). Malafaia afirmou que votará em Everaldo no primeiro turno e, no segundo, em Marina. Rodovalho espera que as igrejas evangélicas menores, que têm menos poder de negociação com o governo, se unam em torno de um mesmo nome. E proporá que a escolha recaia sobre Marina. A Concepab elaborou uma pauta mínima para discussão com os presidenciáveis. Quer que eles assumam compromissos contra o casamento gay, a legalização das drogas e a ampliação do direito ao aborto (hoje permitido em casos excepcionais, como estupro e risco à vida).

Contra o maniqueísmo do discurso

Mesmo animado com a subida da presidenciável Marina Silva (PSB) nas pesquisas, o senador João Capiberibe (PSB-AP) critica o maniqueísmo de algumas de suas declarações. Para ele, a dicotomia entre os partidos que comandaram o País nos últimos 20 anos será superada com a dimunuição da influência de caciques, como os senadores José Sarney (PMDB-AP), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL). Mas discorda da afirmação de Marina que governará com “os bons”. “É um termo mal colocado. Os bons são aqueles com compromisso com um País mais justo e ético”, afirma.

Juntos e diferentes

Para o presidente nacional do PPS, o deputado Roberto Freire, o programa de governo de Marina Silva (PSB) tem pontos contrários às ideias dos partidos da coligação. Além do PPS e do PSB, PPL, PHS, PSL e PRP apoiam a candidatura dela. Ele afirma, no entanto, que as divergências não terão impacto.

Requião ocupa espaço do PT no Paraná

Candidata ao governo do Paraná, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sofre para se diferenciar do colega Roberto Requião (PMDB), que também enfrenta o governador Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição. O peemedebista está em segundo nas pesquisas de intenção de votos e ela em terceiro. Na avaliação de petistas, Requião parece no discurso mais de esquerda do que a senadora. Por isso, consegue atrair o apoio de movimentos sociais normalmente próximos ao PT.

André Vargas ainda causa problemas

A senadora é da ala petista considerada mais próxima ao ex-governador Requião, o que dificulta uma disputa mais contundente entre eles. A candidatura de Gleisi já havia sofrido um desgaste grande quando o deputado André Vargas deixou o partido depois de terem sido denunciadas as relações dele com o doleiro Alberto Yousseff.

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Com Leonardo Fuhrmann

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