Cesare Battisti é detido na fronteira tentando ir para a Bolívia

Ativista italiano, condenado por quatro homicídios e cuja extradição foi negada pelo ex-presidente Lula, está na delegacia de Corumbá

Por O Dia

Cesare Battisti foi condenado por quatro homicídiosDivulgação

Corumbá - O ativista italiano Cesare Battisti foi detido pela Polícia Federal nesta quarta-feira, em Corumbá, Mato Grosso do Sul. Ele estava tentando atravessar a fronteira para a Bolívia.

A PF informou que Battisti não está preso. Neste momento, "agentes da Delegacia de Corumbá estão averiguando a situação em que Battisti se encontrava na região de fronteira".

Extradição negada por Lula

Battisti teve sua extradição pedida pela Itália pela condenação por quatro homicídios. O então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia de seu mandato, em 31 de dezembro de 2010, assinou decreto no qual negou ao governo italiano o pedido de extradição do ex-ativista.

Em 2011, o Supremo arquivou uma ação do governo da Itália contra o ato de Lula, e determinou a soltura do italiano. A defesa de Battisti sustenta que, desde então, têm havido "várias tentativas ilegais" de remetê-lo para o exterior por meio de outros mecanismos, como a expulsão e a deportação. Desde 2016, com as mudanças ocorridas no Poder Executivo, os advogados afirmam que há notícias de que o governo italiano pretende intensificar as pressões sobre o governo brasileiro para obter a extradição.

No último dia 27, os advogados de Cesare Battisti entraram com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a possibilidade de extradição, deportação ou expulsão pelo presidente da República, alegando que, segundo notícias veiculadas recentemente, há um procedimento sigiloso em curso visando à revisão do ato presidencial que negou a extradição em 2010. O relator da ação é o ministro Luiz Fux, que já havia negado um habeas corpus anterior

Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público para declarar a nulidade do ato que concedeu visto de permanência a Battisti, e, consequentemente, sua deportação. A 20ª Vara Federal do Distrito Federal acatou o pedido e determinou a imediata prisão administrativa do italiano, mas a ordem foi suspensa liminarmente pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). 

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