Indústria extrativa puxa expansão no Espírito Santo e Pará

Estados destoam do país ao atingirem crescimento de 21,7% e 8,2% na produção industrial no 1º bimestre, frente a 2014

Por O Dia

Rio - A queda nos preços internacionais do minério de ferro e do petróleo não tem desestimulado a indústria extrativa nacional. O setor é o único que registra forte crescimento, com expansão de 10,9% no primeiro bimestre do ano, frente à retração de 7,1% da indústria geral — ambos na comparação com o primeiro bimestre de 2014. O bom momento tem beneficiado estados produtores ou processadores de minérios, levando-os a resultados que destoam do restante do país: como Espírito Santo e Pará, com expansão, respectivamente, de 21,7% e 8,2% no bimestre. No Rio de Janeiro, a produção de petróleo ajudou a amortecer a forte retração, de 7,1%, oriunda das atividades de transformação.

Segundo a pesquisa mensal industrial — produção física regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado do ano, a indústria extrativa do Espírito Santo cresceu 35% e a de transformação, 5,7%. Essa última categoria foi beneficiada pela metalurgia, com expansão de 47%, e a fabricação de celulose, com alta de 8,1%. Economista e consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), Silvio Sales aponta que o Espírito Santo registra ganhos de produção tanto pela exploração de petróleo, quanto pelo beneficiamento de minério de ferro, que vem de Minas Gerais.

“O Espírito Santo faz um semiprocessamento do minério extraído de Minas, além de escoar também a produção por seus portos. Por isso, não só a extrativa mineral como a metalurgia registram impactos positivos em função do bom momento da extração mineral no país”, diz Sales, acrescentando que, no Pará, os efeitos do crescimento de 8,2% na produção industrial vem também da extração de minério de ferro.

No Rio de Janeiro, a indústria extrativa de petróleo minimizou o impacto da queda na produção da indústria de transformação. O estado, que acumula retração de 7,1% no bimestre, teve um crescimento de 8,8% vindo da extrativa mineral e uma queda de 12,7% da indústria de transformação. “No caso do Rio, todos os segmentos da indústria de transformação contam com resultados ruins, mas se destaca a indústria de veículos, com queda de 42,5% na produção no acumulado de janeiro e fevereiro deste ano, frente a igual período de 2014”, observa Sales.

O mau momento da indústria de veículos, seja para a produção de bens duráveis, como automóveis, ou para bens de capital, caminhões, também tem impactado fortemente nos resultados de estados tradicionalmente industriais. Principal polo fabril do país, São Paulo registra queda de 17,8% na produção de veículos no bimestre. Mas a pressão mais forte aparece nos estados do Sul, como Paraná, com queda de 39,5% na atividade, e Rio Grande do Sul, com retração de 23,5%.

Coordenador da pesquisa do IBGE, André Macedo salienta que, apesar do menor número de dias úteis em fevereiro deste ano, mês de 28 dias com carnaval, o comportamento de retração generalizado da indústria nacional não muda. “Talvez o efeito calendário explique, em parte, mais o espalhamento e a intensidade das quedas observadas”, afirma.

“Mas, de forma geral, quando se analisa o resultado Brasil sob a ótica das atividades, bens de capital e duráveis continuam acumulando as maiores perdas. E os bens de capital voltados para áreas de transporte, como caminhões, e os bens de consumo duráveis, carros, motos, móveis, linhas brancas e marrons, têm pressões negativas importantes. Até os bens de consumo semi e não duráveis, como a indústria farmacêutica, passaram a pressionar negativamente a partir deste início de ano. Um pouco na contramão do que vinha mostrando no ano passado. A exceção continua com o setor extrativo”, completa Macedo.

Embora o Brasil tenha vantagens comparativas que sustentem a produção extrativa mineral, há dúvidas se o setor conseguirá se manter forte frente às pressões de queda dos preços das commodities. Segundo análise da equipe econômica do Itaú Unibanco, em março, o minério de ferro e o petróleo retomaram a tendência de queda nos preços. A projeção para o fim do ano é a de que o petróleo custe US$ 65 por barril, e o minério de ferro, US$ 52,5 a tonelada.

Últimas de _legado_Notícia