A ameaça do segundo turno

Chama a atenção o pequeno crescimento de Dilma em relação ao primeiro turno. Enquanto ela agrega entre 8 e 9 pontos percentuais, Aécio dobra a votação

Por O Dia

Meses antes da Copa, em entrevista sobre a corrida sucessória, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, recusou-se a fazer previsões sobre o resultado, mas afirmou que as eleições deste ano serão as mais difíceis desde o retorno do país à democracia em 1989. Montenegro enxergou longe. A considerar a última pesquisa do Datafolha, o favoritismo da presidente Dilma Rousseff começa a correr risco. Sua vantagem para a soma das intenções de voto nos adversários está se reduzindo e a vitória no primeiro turno parece hipótese cada vez mais frágil. A seguir assim, a disputa não deve ser resolvida no domingo 5 de outubro. Tudo indica que haverá necessidade de voltar às urnas eletrônicas no dia 26 de outubro. E esse não é exatamente o calendário dos sonhos da presidente.

Poderia ser pior. Apesar dos escorregões recentes, Dilma permanece à frente com 36% contra 20% do tucano Aécio Neves e 8% do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. Manteve parte dos pontos que ganhou com o sucesso do governo na realização da Copa e não saiu tão chamuscada como alguns esperavam depois do fracasso da seleção brasileira. Ela ficou no meio termo e seus adversários também não foram beneficiados. Se Aécio e Campos não evoluíram, Dilma perdeu apenas dois pontos em relação ao levantamento do início de julho. Por aí, na opinião do líder do PT no Senado, Humberto Costa, a pesquisa do instituto ligado à Folha de S.Paulo “não assustou, nem surpreendeu”.

Com a devida licença do senador pernambucano e ex-ministro da Saúde no primeiro mandato de Lula, há motivo para preocupação, sim. O índice de rejeição da presidente Dilma subiu de 32% para 35%, comparados a apenas 17% de Aécio e 12% de Campos. Só 32% das pessoas entrevistadas consideram o atual governo bom e ótimo. É regular para 38% e 29% avaliam a atual gestão como ruim e péssima. O experiente cientista político Antonio Lavareda adverte que com esses níveis de avaliação não são os ideais para quem pretende se reeleger. Na verdade, se não houver reação, Dilma está ameaçada, diz Lavareda.

A maior prova de que a presidente saiu da zona de conforto é vista nas sondagens sobre as intenções de voto no segundo turno. Contra Aécio Neves, a distância está dentro da margem de erro: 44% a 40%. E até mesmo contra Eduardo Campos, a vitória seria estreita, 45% a 38%. Chama a atenção o pequeno crescimento da presidente em relação ao primeiro turno. Enquanto ela agrega entre 8 e 9 pontos percentuais, o tucano dobra o número de votos e o ex-governador quadruplica. Algo, portanto, está saindo errado para as pretensões de Dilma. Os 36% que votam nela no primeiro turno se aproximam dos 32% que aprovam seu governo. Na segunda rodada, a presidente não consegue atrair para seu lado número expressivo de eleitores. O que é coerente com o alto índice de rejeição. Segundo o Datafolha, Dilma perdeu terreno nas cidades com mais de 500 mil habitantes, onde já é rejeitada por 42% dos consultados.

É óbvio que o cenário pode mudar com o horário eleitoral na TV, no qual a presidente terá quase a metade do tempo. Comenta-se que o ex-presidente Lula será âncora do programa do PT. Mesmo assim, o marqueteiro João Santana tem tarefa dificílima pela frente. Se não quer dar sopa para o azar, é melhor fazer todo o possível para vencer no primeiro turno.

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