Repertório inspirado do disco de Monarco reforça a nobreza do samba

Belas joiais coroam o rei da velha guarda

Por O Dia

Rio - Já a caminho dos 81 anos, a serem completados em 17 de agosto, Monarco encarna a realeza do samba à moda antiga. O CD comemorativo de seus 80 anos, ‘Passado de glória’, reforça essa nobreza ao trazer à tona pérolas pescadas no baú do compositor carioca, integrante da velha guarda da escola de samba Portela.

O título ‘Passado de glória’ faz supor um disco de caráter retrospectivo. Mas o repertório é inteiramente inédito, embora tenha sido composto por Monarco em diversas épocas com parceiros associados a esse seu particular universo portelense.

Monarco — visto acima no traço do artista gráfico Mello Menezes — canta com Marisa Monte no CD ‘Monarco 80 anos — Passado de glória’Mello Menezes

A inspiração desse repertório autoral faz com que o álbum mereça atenção e elogios. Tanto que as participações de vozes estelares — como as de Beth Carvalho, Marisa Monte e Zeca Pagodinho — tornam-se secundárias face à grandeza de boa parte do repertório inédito.

Cantora que sempre gravou sambas de compositores ligados à Portela, a mangueirense Beth Carvalho é a convidada de ‘Tristonha saudade’, o samba mais bonito do repertório. Mas o samba gravado por Monarco com Marisa Monte, ‘Estação primaveril’, tangencia a beleza de ‘Tristonha saudade’ ao fazer suave louvação à natureza. É pena o fato de a voz de Marisa soar sem brilho.

O samba dividido com Zeca Pagodinho, ‘Verifica-se de fato’, é parceria de Monarco com Ratinho que reitera visão machista em voga no universo da velha guarda. Como já mostram os títulos de outros dois sambas do disco, ‘Insensata e rude’ (feito por Monarco com seu filho Mauro Diniz) e ‘Fingida’, os bambas do samba da antiga tendem a cravar adjetivos pouco nobres nas mulheres que tomam atitudes que descontentam os ‘malandros’.

Machismos à parte, o recente samba ‘A grande vitória’, cantado com Diogo Nogueira, mostra que Monarco ainda vive presente glorioso.

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