A nipo-paraense Camila Honda lança seu CD de estreia

Cantora faz pop com várias influências

Por O Dia

Belém - Hoje, quando se fala que um artista vem do Pará, a curiosidade em torno dele logo aumenta. É em meio aos holofotes voltados para seu estado que a cantora Camila Honda lança o disco de estreia, batizado com seu nome. Mas que não se espere uma música que remeta imediatamente à tradição local: a sansei de 28 anos faz um som sem medo de ser pop. 

‘Não procuro ter sonoridade forçadamente paraense’%2C diz CamilaDivulgação


“Não procuro ter uma sonoridade que seja forçadamente paraense, para me inserir na cena. Sou paraense, interajo com músicos daqui, o produtor é daqui, mas também tenho muita referência de rock, Beatles, Tropicália, Mutantes, e isso vai se misturando à MPB e à música do Pará”, conta ela, que na quarta-feira passada foi uma das atrações do festival Se Rasgum, em Belém. 

“Esse é um momento especial, em que o Pará está despontando na cena cultural, não só na música, mas em outras linguagens artísticas. É muita gente nova produzindo e muita gente fazendo isso profissionalmente”, analisa. “Você diz que é uma cantora paraense e as pessoas já demonstram um interesse a mais em te conhecer”, admite.

Outra influência de Camila é a cultura de seus avós: nos shows, ela inclusive canta ‘Twiggy Twiggy’, sucesso do grupo japonês Pizzicato Five, o que, junto à atmosfera fofa de sua música, rende comparações à cantora mineira Fernanda Takai. 

“Sinto uma identificação com ela e muitas pessoas também sentem quando me veem. Acho legal, porque é uma artista que eu admiro, tem muitas coisas no repertório dela com as quais tenho afinidade: ela cantou com o Pizzicato Five, fez um CD dedicado à Nara Leão e eu já interpretei Nara...”, reconhece Camila. “Agora, embora eu ache meu trabalho fofo, às vezes isso me incomoda um pouco. Vejo a cara de espanto das pessoas quando faço algo que destoe dessa fofura”, diverte-se ela.

Com produção do guitarrista e compositor Felipe Cordeiro, nome de destaque da atual cena do Pará, e direção vocal de Melina Malzoni, o CD de Camila Honda traz dez faixas, sendo cinco versões: ‘Sabiá’, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas; ‘Fora de Área’, de Kassin e Alberto Continentino; ‘Embaraço’, de Felipe Cordeiro; ‘Tamba-Tajá’, de Waldemar Henrique, e ‘Aparelhagem de Apartamento’, do grupo Molho Negro. As outras são de autoria de Camila ou parcerias.

“O Felipe está envolvido nesse disco desde o início, quando eu ainda pensava no conceito. Além disso, ele adiciona um tempero paraense ao som, um calor”, descreve. “Minha música soa com todos os referenciais que tenho, os lugares por onde passei. Meus avós são japoneses, mudaram para a Amazônia, eu moro em Belém, as pessoas com quem eu trabalho são daqui, vivi em Portugal dois anos e minha mãe tem família lá, então tudo isso permeia o meu trabalho.”

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