Artista plástica usa a beleza como arma para lutar contra a violência

Solange Palatnik retrata flores, mulheres e borboletas como símbolos de transformação

Por O Dia

Rio - Medo, insegurança e a consciência de que um simples passeio na rua pode ser fatal — e em muitos casos é. Realidade bem conhecida por quem vive no Rio de Janeiro e tema para quem olha ao redor e encontra material para se manifestar sobre o que enxerga, ainda que seja como forma de resistência. Como ocorre com a artista plástica Solange Palatnik. Na exposição ‘Ora, Bolas!’, ela recorre a imagens que exaltam alegria e otimismo ante o avanço das duras situações cotidianas que insistem em nos cercar. 

A exposição é composta por imagens femininas — cada uma delas possui tipo físico e personalidade diferente%2C além de ganhar nomesEduardo Guedes / Divulgação


“Tenho me sentido horrorizada com as coisas que estão acontecendo, da banalização da vida no Rio à crueldade praticada pelo Estado Islâmico. Eu quis mostrar ao mundo que ainda acredito na beleza do ser humano. Por isso retrato tantas flores, mulheres e borboletas. A meu ver, elas funcionam como símbolos da transformação que estamos precisando nas nossas vidas.”

Na exposição, que está em cartaz até 7 de julho na Galeria Marly Faro, em Ipanema, Solange apresenta 165 telas cujos tamanhos variam entre 10 centímetros e 1 metro e 20 centímetros. Para compor as obras, boa parte de grande formato, ela trabalha com tinta acrílica, utilizando técnicas próprias de relevos feitos com colheradas de tinta.

Desde que iniciou seu trabalho, há 22 anos, Solange — formada em desenho e artes gráficas pela Escola Nacional de Belas Artes da UFRJ e que, por muitos anos, se dedicou apenas às gravuras de metal — tem, entre seus temas preferidos, as mulheres e as flores. Para cada figura feminina que é retratada em suas criações ela elabora um nome e também uma personalidade exclusiva. São Lolas, Gigis, Marilyns e também Solanges. Mulheres que têm diferentes rostos, raças e credos. “Crio figuras femininas de presença marcante — mulheres que usam saias floridas e que possuem olhares expressivos”, descreve.

Por vontade da própria Solange, o contato físico entre o público e suas obras expostas é estimulado. “Minhas pinturas podem e devem ser tocadas. Gosto de pensar que elas são flores que desabrocham com uma alegria de viver”, finaliza a artista plástica, cujas obras já foram expostas em galerias de São Paulo, Paris, Nova York, Miami e Chicago.

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