‘Humor é a saída para não pirar’, afirma Maitê Proença

Atriz lança livro de crônicas e fala sobre sua escrita

Por O Dia

Atriz%2C dramaturga e escritora%2C Maitê Proença atualiza livro de 2004Fernando Young / Divulgação Sony Music

Rio - Faz 36 anos que Maitê Proença aparece nas casas de famílias de todo o Brasil. No entanto, a carreira, que começou na TV Tupi, vem abrindo cada vez mais espaço para uma outra face da atriz, tão expositiva quanto: a de escritora. Em ‘Entre Ossos Agora’ (Record, 188 págs., R$ 30) reedição aumentada do livro de crônicas ‘Entre Ossos e a Escrita’, publicado há 11 anos, ela mostra mais do que é visível na telinha: “A escrita é uma forma de traçar uma ponte mais sólida entre mim e o público. Não há personagens intermediando”, analisa. Esta é a sexta publicação da autora, que também escreve ficção e dramaturgia.

De 2003 para cá, ano em que as primeiras crônicas figuraram na revista ‘Época’, Maitê afirma: “Gosto da pessoa que virei”, e complementa, na contracapa do livro: “Sinto vontade de me expressar (...), e quero falar com todas as pessoas”. Maitê está alerta e traduz o mundo à sua maneira falando sobre viagens, amores, futebol e índios, entre outros assuntos. Por isso, ela avisa que não é um livro diretamente sobre si, mas sobre tudo.

No entanto, seus pontos de vista trazem à superfície sua história. Discorrendo sobre a “comercialização da morte e como é difícil manter a dignidade de nossos mortos”, Maitê fala sobre a morte dos seus pais: “Escrever é um processo de vasculhamento das profundezas. Tendo as rédeas nas mãos, eu faço do meu jeito, trabalhando os assuntos que me parecem mais pertinentes, e as emoções mais necessárias”, afirma.

Mesmo assim, ela diz sentir o impacto da internet sobre a sua imagem pública. “Tudo o que se pensa e diz, em dois minutos vira uma versão do que foi falado, e a verdade fica esquecida lá atrás, soterrada pelo que outros disseram do que você disse”, desabafa a atriz, que atualmente está em Nova York fazendo um curso de roteiro para TV.

Em ‘Entre Ossos Agora’, Maitê mostra um traço cômico, mesmo lidando com assuntos melancólicos e difíceis. A mesma característica também está nas suas duas peças, ‘As Meninas’ e ‘À Beira do Abismo Me Cresceram Asas’, a última ainda rodando o país com a atriz Ana Lúcia Torre no papel que era da autora. “A gente não sabe o que está fazendo aqui, nem saberá. As religiões sugerem caminhos, mas não dão a resposta. Melhor levar com humor, é a única saída para não pirar”, pondera.

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