Dor de cotovelo é gancho para falar da mulher contemporânea em monólogo

'As Lágrimas Quentes de Amor que Só Meu Secador Sabe Enxugar' estreia neste sábado no Rio

Por O Dia

Paula Cohen comanda monólogoDivulgação

Rio - Quando a separação puxa o tapete da gente, geralmente, a primeira reação é ver rolar as ‘As Lágrimas Quentes de Amor que Só Meu Secador Sabe Enxugar’. E é munida de suas dores e secador que a atriz Paula Cohen, no ar em ‘I Love Paraisópolis’, batiza o monólogo que estreia hoje, às 23h, em curta temporada no Teatro Leblon.

O título pode até remeter a alguma novela mexicana, mas Paula garante que vai muito além do melodrama. “Inevitavelmente, todos viveram situações assim. Além disso, queria falar sobre as diferenças entre as mulheres que fomos criadas para ser e as mulheres que realmente nos tornamos diante da sociedade atual”, diz Paula, que escreveu o texto junto ao diretor Pedro Granato.

“Após o término, é preciso se redescobrir. Ainda mais que a personagem (Elvira) largou tudo — país, emprego, família — para viver um amor na Argentina”, explica, que assim levanta questões sociais da mulher contemporânea, além das sentimentais.

“Nossas avós viviam em outra realidade. Se redescobrir após o fim de uma relação era quase impensável”, analisa a atriz. “Lembro que minha avó, que era da década de 30, me dizia que estudar Artes Cênicas e Jornalismo não é coisa para mulher”, cita ela como exemplo da diferença de gerações.

Mas, mesmo a dor de cotovelo sendo o gancho para abordar o universo feminino, nem só de lágrimas se baseia a peça. “O espetáculo é muito engraçado, porque o trágico também tem um lado cômico”, classifica Paula. “É mais fácil rir de situações duras quando nos distanciamos delas. Então, às vezes, quando você assiste à peça e a associa com o que já viveu, a coisa soa patética”.

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