O futebol cinematográfico de Nilton Santos

O documentário conserva o tom de respeito e controla os arroubos de idolatria

Por O Dia

Rio - Botafoguenses de todos os cantos, uni-vos! Para comemorar o retorno à tropa de elite do futebol brasileiro, o alvinegro de Marechal Hermes ganha um troféu cinematográfico com a chegada hoje nas telas de ‘Ídolo’, documentário de estreia de Ricardo Calvet. O filme é uma homenagem aquele que talvez seja o mais emblemático jogador do Botafogo: Nilton Santos. O “talvez” é por conta da lembrança de que a camisa do glorioso também vestiu nada mais nada menos do que Garrincha.

Cena do filme ‘Ídolo’%2C documentário do diretor Ricardo CalvetReprodução Internet

Nilton Santos jogou 17 anos no Botafogo e foi bicampeão mundial com a seleção brasileira, em 58 e 62. Sua história é reconhecida tanto dentro quanto fora do gramado, onde imortalizou-se por servir a um ideal de idolatria hoje escasso. Se dentro do campo Nilton se orgulhava de nunca ter dado um carrinho, pois futebol, em suas próprias palavras, era para ser jogado em pé, fora das quatro linhas simbolizou o ideal do homem de princípios, fiel à camisa do seu clube e distante das badalações e tentações da vida mundana.

‘Ídolo’, o filme, resgata a imagem do profissional íntegro e do lateral de desarmes limpos e saída de bola altiva, com a saudável exceção daquele pênalti malandramente escamoteado contra a Espanha, na Copa de 62, imagem que silenciosamente sintetiza a ideia do “jeitinho” brasileiro. Vemos Nilton sendo tratado com respeito por amigos como Zagalo, Gerson, Djalma Santos, Adalberto e Cacá. Sempre pontuados por suas frases antológicas.

“Não invejo o dinheiro dos mais jovens, invejo a liberdade que os laterais têm hoje em dia de passar do meio campo e ir ao ataque”, declara aquele que entraria para a história como a “enciclopédia” do futebol.
O documentário conserva o tom de respeito e controla os arroubos de idolatria. Mesmo nos difíceis momentos finais da vida, com a saúde bem debilitada, Nilton é mostrado com carinho e reverência. Só não é mais porquê, como explica o cineasta Rui Solberg, nos anos 50 e 60, filmar custava muito caro e em geral só se ligava a câmera nas jogadas mais perigosas de ataque. Por isso, vemos pouco de Nilton em ação nos gramados. Mas quem viu garante: azar do cinema.

O documentário conserva o tom de respeito e controla os arroubos de idolatria

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