Bia Willcox: Empreendedorismo da felicidade

As pessoas precisam, antes de mais nada, empreender esse sentimento, considerando isso o melhor negócio de suas vidas

Por O Dia

Rio - Empreendedorismo tá na boca do povo. Todos querem construir algo que possa lhes trazer sustento, lucro, satisfação, status social, poder e, sobretudo, realização pessoal. Frequentam cursos de pós-graduação, MBAs, compram livros, leem artigos e assistem a palestras sobre o assunto.

Da mesma maneira em que saber empreender virou objeto de consumo de muitos, felicidade virou termo desacreditado para muita gente. Há os que digam que felicidade é utopia, que o termo não existe e que só temos momentos felizes ao longo de nossa sofrida existência de perdas e dores.

Pois é. Há pessoas que não conseguem ser felizes, estar felizes ou manter um status de onde as situações de alegria e bem-estar cotidianos sejam frequentes. Elas precisam, antes de mais nada, empreender sua própria felicidade, considerando isso o melhor negócio de suas vidas.

Definamos felicidade:

1. Ter companhia. Qualquer que seja ela. Conviver, se relacionar, exercitar a capacidade de se doar faz bem, mesmo que aparentemente pareça o contrário. Não é à toa que pesquisas científicas vem associando relações afetivas estáveis à longevidade.

2. Ter humor nas situações cotidianas: rir do que é chato, debochar dos sacrifícios diários que fazemos para sobreviver, assistir a um programa para rir dele no bom ou no mau sentido. De novo, ter com quem compartilhar é sempre melhor, mesmo que essa pessoa não more efetivamente com você.

3. Trabalhar no que gosta. Não gosta do que faz, mas não pode abrir mão desse trabalho? Revolucione, torne-o instigante. Ou ache um trabalho complementar que lhe traga prazer e desafios. Marcelo Tas declarou que hoje em dia ele já não distingue tão bem o que é trabalho do que é lazer. Cara de sorte. Empreendeu bem sua própria felicidade.

4. Esperar pouco do que as pessoas consideram muito e esperar muito da vida simples que podemos levar. Essa é a grande sacada. Vejo pessoas jogando fora uma vida feliz por esperar que a vida delas possa se tornar um grande concerto de rock’n’roll. Vida simples não é vida medíocre. Pensar assim é o grande engano que leva essas pessoas a um dia a dia absolutamente frustrante e infeliz.

5. Gostar de si próprio: se cuidar, cuidar do corpo e da alma, buscar aprimoramento intelectual e afetivo. A ideia de nos tornamos mais sábios pode ser construída a partir de conversas com pessoas a quem julgamos cultas ou sábias. Não se limita a ler livros de filosofia ou ver filmes cult.

6. Ser feliz com a vida que se tem não significa ser acomodado ou sem ambição. A ambição equilibrada move o mundo! Mas a insatisfação crônica destrói tudo de invisível que construímos pra nós. Curtir o que temos, seja materialmente ou afetivamente e espiritualmente, não significa que não possamos querer mais. Mas a felicidade da trajetória é mais consistente e arrebatadora do que a do destino final.

Definitivamente, é preciso que se ofereça no mercado uma especialização em empreendedorismo da felicidade.

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