Diogo Nogueira fala de igualdade em músicas de seu novo disco, 'Munduê'

Este é seu primeiro disco 100% autoral, incluindo parcerias com amigos como Bruno Barreto, Hamilton de Holanda, Leandro FAB, Mosquito e até a veterana Dona Ivone Lara

Por O Dia

Rio - Diogo Nogueira completa dez anos de carreira voltando ao passado da cultura afro brasileira e a seus ídolos do samba em ‘Munduê’, seu quinto disco de estúdio. O novo álbum é dedicado a Wilson das Neves, sambista morto recentemente - e que teria participado da faixa ‘Império e Portela’. E a memória de seu pai, João Nogueira, está sempre presente.

Diogo NogueiraDivulgação

Muito embora de lá para cá Diogo, cuja voz sempre lembrou a de João, tenha adquirido cara própria. Tanto que o novo ‘Munduê’ é seu primeiro disco 100% autoral, incluindo parcerias com amigos como Bruno Barreto, Hamilton de Holanda, Leandro FAB, Mosquito e até a veterana Dona Ivone Lara (uma de suas parceiras em ‘Império e Portela’, que canta com Arlindinho, filho de Arlindo Cruz).

PRESENÇA DE JOÃO

Dez anos se passaram desde a época em que o repertório de Diogo era quase todo tomado pelas músicas do pai. “Foi minha fonte, onde eu aprendi a cantar e amar o sam ba, foi de onde saiu toda a minha história. Então, nada foi mais justo do que começar homenageando meu pai. Se eu não cantasse as canções dele quem mais iria cantar, não é mesmo?”, diz, rindo, Diogo.

“Mas logo surgiu ‘Tô Fazendo A Minha Parte’, meu segundo disco (2009), que já tinha ‘Sou Eu’, um presente muito bacana que ganhei do Chico Buarque e do Ivan de Diogo no universo afro-brasileiro. E trazem o cantor posando com crianças da comunidade quilombola São José da Serra, o mais antigo quilombo do Rio. Diogo pintou se e vestiu-se como se fizesse parte da comunidade, para as fotos. E ele ainda fala de busca pela igualdade e por condições justas de trabalho em ‘Tempos Difíceis’, parceria com Leandro Fregonesi.

“É uma canção que fala por si própria. A gente está vivendo tempos bem complicados, as pessoas estão doentes, o mundo está numa guerra. Vê só o que aconteceu com o Bruno Gagliasso, o que fizeram com a filha dele (Titi). Olha só o que essa mulher (Day McCarthy) fez com uma criança. Não conheço o Bruno, não conversei com ele, mas é um fato lastimável que isso ainda esteja acontecendo em pleno 2017”, diz. “Resta à gente passar boas mensagens para que isso não aconteça mais”. Assuntos como preconceito e igualdade costumam ser comentados por Diogo com o filho Davi, de 10 anos. “De monstro para ele que o mal não pode imperar de forma alguma, e que sempre deve mos escolher o lado bom”. A situação do país atualmente aparece também em ‘Cora gem’, samba feito em parceria com Leandro FAB e Fred Camacho.


ENCONTRO COM ARLINDINHO

Em ‘Império e Portela’, encontram se dois filhos de sambistas, cada um defendendo seu pavilhão: o portelense Diogo e o imperiano Arlindinho, filho de Arlindo Cruz. “Foi um encontro muito bom. O Arlindinho é um menino supertalentoso, grande compositor, tem uma rouquidão na voz que é bem interessante. Pensei em convidar um sambista da nova geração e quis mostrá-lo como intérprete dentro do disco”, afirma Diogo.

O filho de João se diz abalado com os problemas de saúde vividos por Arlindo Cruz, que permanece hospitalizado. “É uma dor grande. Arlindo é não apenas um grande compositor como um grande amigo, um amigo de verdade. A gente ora todos os dias para que ele possa se recuperar. E para que a gente possa vê-lo no palco mandando o
recado dele”.