Investidores especulam nos mercados com crise política

Bolsa de valores sobe e dólar cai, apostando em possível mudança de governo

Por O Dia

Brasília, São Paulo e Rio -  O cenário desfavorável para o governo federal, em meio à nova fase da Operação Lava Jato e denúncias — ainda não comprovadas — contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provocou instabilidade nos mercados financeiros e aumento de operações especulativas que apostam na mudança de governo.

Pela manhã, enquanto Lula era levado para depor na Polícia Federal, o dólar chegou a recuar quase 4% e a Bovespa disparou 5,9% na abertura do pregão, fechando o dia aos 49.085 pontos.  A moeda norte-americana fechou o dia com recuo de 1,09%, abaixo de R$ 4, registrando a quarta queda seguida. O dólar encerrou a semana com baixa de 5,93%, o maior recuo desde 2008, quando a desvalorização chegou a 7,22%. A Bovespa saltou 4% e acumulou maior ganho semanal desde 2008.

A reação positiva dos investidores frente ao ambiente prejudicial à Dilma e ao PT mostra a insatisfação do mercado com a atual conjuntura político e econômica, e que trabalhou ontem com a expectativa de mudança.  “A notícia da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT), o resultado negativo do PIB, e a nova etapa da Lava Jato, o mercado vem respondendo com otimismo. Os investidores querem a mudança do governo e essas notícias sugerem que um impeachment ou uma renúncia possam acontecer”, explica o economista da Órama Investimentos e Ibmec, Alexandre Espírito Santo.

Gráfico mostra a evolução dos indicadores financeirosArte O Dia

O especialista aponta o desequilíbrio fiscal como uma das maiores críticas à política macroeconômica de Dilma. “O governo está fazendo déficit ao invés de superávit. Gasta mais do que arrecada, o que está levando ao endividamento. Assim, não há confiança dos investidores e isso gera uma instabilidade no mercado”, diz Espírito Santo, lembrando que o momento é de incertezas. “O mercado está se antecipando a incertezas. Há muita especulação”.

Julio Hegedus, estrategista-chefe da Lopes Filho Consultoria de Investimentos, ressalta a volatilidade do mercado, que, ao fim do dia, respondeu aos pronunciamentos de Lula e Dilma. “O mercado deu uma animada mas, ao fim do dia, desanimou”, disse.

Para o economista e professor do Ibmec, Gilberto Braga, o clima de instabilidade política continuará mexendo com o mercado financeiro. “Novos desdobramentos da Lava Jato vão manter esse ambiente efervescente”, previu Braga.

Especialista recomenda cautela

Apesar do resultado positivo no mercado financeiro ontem, especialistas alertam que o momento não é favorável para fazer investimentos. Ainda há muita especulação e o clima é de instabilidade no país. Confira algumas dicas enfrentar a situação:

DÓLAR — A moeda norte-americana em queda, abaixo dos R$ 4, a um preço convidativo, acaba sendo mais atrativa. Gilberto Braga aposta que o dólar fique no atual patamar. “O mercado deve se manter em franca especulação e o dólar em queda”. Mas neste momento de retração na economia, com a queda da renda das famílias, a recomendação é para se ter cautela. A compra da moeda agora é indicada só para quem precisa viajar ou pagar dívida em dólar. “Quem esperava a oportunidade não deve comprar em grande quantidade. Não é momento para se gastar muito”, avisa Alexandre Espírito Santo.

AÇÕES: Especialistas dizem que agora não é o momento para arriscar e sim para ser conservador. “Quem investe na bolsa tem experiência ou gosta de correr risco. O mercado de ações é suscetível e não é para amador”, alerta Espírito Santo.

APLICAÇÕES: Seja conservador, mas invista em aplicações que rendam mais, como fundos de renda fixa. Segundo especialistas, apesar de segura, a poupança não é recomendada. Na caderneta, o ganho será de 8% no ano enquanto nos fundos será de 10,5%.

Prefeitos dão apoio  à reforma

Em meio à crise política, a presidente Dilma Rousseff recebeu apoio para encaminhar a proposta de reforma da Previdência. Ontem, entidade que representa os prefeitos de todo o país deu sinais de que aprova a mudança de regras na concessão de benefícios. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) defende, no entanto, que as mudanças que forem aprovadas para o regime geral e os demais servidores da União sejam estendidas a servidores estaduais e municipais.

Desde o ano passado o Palácio do Planalto tentar costurar, junto às bancadas que compõem a sua base aliada no Congresso Nacional, o apoio necessário para aprovar a reforma.

Em documento encaminhado ontem à presidente, a confederação informou que apóia a recriação da CPMF desde que os recursos oriundos do imposto sejam compartilhados com estados e municípios. A entidade propõe que a taxa tenha alíquota de 0,38%, desde que 0,18 ponto percentual seja encaminhado governos estaduais e prefeituras.

A CNM reivindicou de Dilma os repasses do Fundo de Participação dos Municípios que serão feitos em julho de 2016. A confederação pediu que sejam cumpridos o acréscimo de 0,5% ao fundo.

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