Perda de peso, uma questão de vida ou morte no MMA

Óbito do lutador Leandro Caetano de Souza, o Feijão, levanta o debate sobre algumas práticas no MMA

Por O Dia


Rio - A morte do lutador Leandro Caetano de Souza, o Feijão, de 26 anos, caiu como uma bomba no mundo do MMA e trouxe uma profunda reflexão sobre algumas práticas comuns no esporte. Na quinta-feira, o atleta da Nova União passou mal antes da pesagem da edição 43 do Shooto Brasil e foi levado à UPA de Botafogo, mas não resistiu ao esforço do processo de perda de peso.

Um acidente vascular cerebral hemorrágico tirou a vida do jovem, que deixa a namorada grávida e sonhos para trás. O corpo será sepultado neste sábado, às 9h, no cemitério de Inhaúma.

Segundo o médico legista que orientou dona Elma Santos, tia e madrinha do lutador, Leandro poderia ter uma doença cardiovascular que foi agravada pelo processo de desidratação. Segundo dona Elma, Leandro não estava comendo para poder encarar a balança e bater o peso da categoria mosca (56,7 quilos).

Leandro FeijãoReprodução Internet

“Houve um AVC hemorrágico e o laudo aponta que pode ter tido evolução de uma doença cardiovascular. Mas, como enfermeira e depois de conversar com o legista, posso dizer que o que levou a essa alteração na pressão e ao rompimento no cérebro foi o excesso de exercício por conta da perda de peso”, comentou.
Após a confirmação da morte, os organizadores resolveram cancelar o evento em sinal de respeito à memória de Leandro e à família.

Diretor-médico da Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA), Dr. Márcio Tannure foi enfático ao recriminar os processos de perda de peso, em que um atleta chega a cortar até 20 kg de líquido antes dos combates.

“Existem vários procedimentos que são desestimulados por nós. Mesmo assim, alguns atletas tentam burlar isso achando que terão ganho de performance. Nós incentivamos o atleta a lutar na categoria que consegue bater o peso. Mas muitos fazem o corte de peso de maneira indiscriminada”, alertou Tannure.

O choque com o falecimento de Leandro fez com que muitos lutadores optassem por subir de categoria para evitar danos futuros à saúde. Marcelo Guimarães, meio-pesado do UFC, por exemplo, confirmou que vai lutar entre os médios e que não vale a pena correr o risco.

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