Com desempenho abaixo do esperado no Pan, atletismo preocupa para 2016

Modalidade que rendeu 23 pódios em Guadalajara-2011 ganhou dez medalhas até o momento em Toronto e teve desempenho pífio em provas de velocidade

Por O Dia

Canadá - Uma das modalidades mais populares dos Jogos Olímpicos e fonte ampla de medalhas, o atletismo é motivo de preocupação para o COB (Comitê Olímpico do Brasil) a pouco mais de um ano para o Rio 2016. A performance da delegação do país é bem aquém do esperado, principalmente na comparação com a edição de Guadalajara.

Ubiratan dos Santos terminou a prova da maratona apenas em 13ºJonne Roriz/Exemplus/COB

Quatro anos atrás, o atletismo brasileiro saiu do México com 23 medalhas - dez ouros, seis pratas e sete bronzes. No Pan de Toronto, após seis dias de disputas, foram 11 pódios, com apenas uma vitória: a de Juliana dos Santos nos 5.000m - prova na qual ela compete há menos de três meses e registrou um tempo, 15min45s97, que a deixaria em 13º lugar no último Mundial, em 2013.

O desempenho gerou comentários preocupados no balanço feito pelo COB da participação do Brasil no Pan de Toronto, na sexta-feira. "O atletismo está num momento de transição de estratégia. Mudou o diretor técnico. Temos de esperar para conversar. Há uma mudança de caminho a ser acertada quando a gente voltar para o Brasil, é uma modalidade importante para nossas intenções de medalha", alertou Marcus Vinícius Freire, superintendente da entidade.

Na manhã deste sábado, penúltimo dia de Pan, o Brasil perdeu sua hegemonia na maratona masculina, prova na qual mantinha o retrospecto de quatro ouros consecutivos, desde Winnipeg-1999. Campeão no Rio de Janeiro-2007, Franck Caldeira abandonou a prova, enquanto Ubiratan José dos Santos ficou em 13º, o último entre os cumpriram o trajeto de 42 quilômetros. A vitória ficou com Richer Perez, de Cuba.

A maior decepção são com as provas de velocidade, as mais nobres do atletismo. O Brasil ficou fora da final dos 100m e 200m rasos no masculino, e entre as mulheres quase medalhou com Rosangela Santos nos 100, mas perdeu Ana Claudia Lemos, lesionada, para a final do revezamento 4x100m, neste sábado, às 20h40 (de Brasília). As provas por equipes, aliás, são vistas como a única chance de não passar em branco na curta distância. "Os resultados ficaram aquém do potencial dos atletas", avaliou Jorge Bichara, gerente geral de Performance Esportiva do COB.

Impressiona também a discrepância de resultados em nível internacional dos brasileiros em comparação à elite e até ao pelotão intermediário nas provas de velocidade. A melhor marca do país nos 100m rasos masculino, por exemplo, é de 1988: os 10s00 cravados por Robson Caetano. Em 2015, a melhor marca nacional é 10s22, de Vitor Hugo Santos, que não o colocaria na final do Pan de Toronto.

"Existe uma diferença significativa de performance. Um dos problemas é que o Brasil tem um número reduzido de atletas de velocidade. A Confederação (Brasileira de Atletismo) tem trabalhado para diminuir essa diferença e buscar novos atletas", ponderou Bichara.

Em Toronto, foi possível notar os atletas de velocidade descontentes não apenas com os maus resultados no Pan, mas com a avaliação negativa por parte de dirigentes. A frustração gerou até um desabafo de Aldemir Gomes, que classificou como desumana a estrutura de treinos que os atletas do Rio de Janeiro dispõem para as provas de velocidade.

A exceção a essa incômoda regra de desempenhos pífios ou medianos foi Fabiana Murer, medalha de prata no salto com vara. Embora tivesse favoritismo na final, a brasileira travou com a cubana Yarisley Silva um duelo de alto nível, com direito a melhor marca da temporada para a adversária (4,85m).

No masculino, porém, mais uma frustração. Dono da quinta melhor marca mundial em 2015 no salto com vara (5,92m), Thiago Braz, de 21 anos, errou em Toronto as três tentativas que fez, com o sarrafo a 5,40m. Estreante no Pan, ele é treinado pelo ucraniano Vitaly Petrov, mentor de ícones como Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva.

Reportagem de Thiago Rocha

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