Fusão da Telefónica na Alemanha pressagia mais ofertas entre operadoras

Liberação da oferta da espanhola Telefónica SA para adquirir a E-Plus da Royal KPN NV na Alemanha encerra um ano de incerteza sobre a concorrência no país e pode criar um precedente para futuras fusões e aquisições

Por O Dia

A autorização da União Europeia para a fusão de duas operadoras nacionais de telefonia celular na sua maior economia dará ao setor de US$ 230 bilhões, que passa por dificuldades, um alívio temporário e prepararia o cenário para uma nova rodada de fusões e aquisições.

A liberação da oferta da espanhola Telefónica SA para adquirir a unidade E-Plus da Royal KPN NV na Alemanha por 8,55 bilhões de euros (US$ 12 bilhões), anunciada hoje, encerra um ano de incerteza sobre a concorrência em um país com mais de 110 milhões de contas de celulares. A autorização também pode criar um precedente para futuras fusões e aquisições com a eliminação de uma importante operadora europeia de telefonia celular com descontos.

A última vez que duas operadoras nacionais de tamanhos comparáveis obtiveram autorização para fazer uma fusão foi em 2010, depois que a Deutsche Telekom AG e a France Telecom SA unificaram seus ativos de telefonia celular no Reino Unido. A receita do setor europeu de telefonia celular se reduziu cerca de 10 por cento desde que essa transação foi anunciada, segundo dados compilados pela Bloomberg. Aquisições menores no ramo autorizadas recentemente pela Comissão Europeia incluem a compra da Orange na Áustria e da unidade da Telefónica na Irlanda pela Hutchison Whampoa Ltd.

“Parece-me claro que após a fusão Hutchison/O2 na Irlanda e agora com a fusão Telefónica/E-Plus na Alemanha, certamente não haverá uma presunção contra uma fusão entre três ou quatro operadoras de telefonia celular, mesmo em países grandes como a Alemanha”, disse Emanuela Lecchi, advogada da Watson, Farley Williams LLP em Londres. “Em particular, a Itália e a França são consideradas jurisdições maduras para a consolidação”.

Quatro redes

A E-Plus e a Telefonica Deutschland Holding AG, terceira e quarta maiores operadoras de telefonia celular da Alemanha, concorrerão juntas por participação no mercado com as unidades locais da Vodafone Group Plc e da Deutsche Telekom. Na maioria dos outros grandes mercados, incluindo a Itália, a França, a Espanha e o Reino Unido, quatro operadoras de rede lutam por contas que muitas vezes superam em número os habitantes do país.

Como os fornecedores de telecomunicações combinam cada vez mais ofertas de telefonia celular, linhas fixas e internet de alta velocidade, a Europa se tornou a única região onde a receita do setor está caindo, apesar de que cada vez mais pessoas utilizem smartphones e tablets para assistir a vídeos, jogar jogos e escutar música. No ano passado, as vendas caíram 1 por cento para US$ 409 bilhões, em comparação com um aumento de 3 por cento na América do Norte e um ganho de 3,6 por cento na Ásia, mostram dados compilados pela Bloomberg. Os celulares representaram mais de metade desse número.

Uma série de fusões no futuro “melhorará a lucratividade e favorecerá as cotações”, disse Boris Böhm, que ajuda a gerenciar 2,2 bilhões de euros, incluindo ações da Telefónica, na Aramea Asset Management AG em Hamburgo. “O que eu precisaria ver agora é como o setor pode realmente gerar crescimento”.

A autorização de hoje está condicionada a que a Telefónica se comprometa a vender até 30 por cento da sua capacidade de rede na Alemanha a uma ou várias operadoras. Na semana passada, a companhia concordou em vender tudo para a Drillisch AG, uma das revendedoras menores, com menos de 2 milhões de clientes.

Concessões de rede

A comissão também exigiu que a Telefónica se desfaça do espectro de rede de telefonia celular e de outros ativos que poderiam chegar a facilitar a criação de uma nova operadora de rede. A fornecedora também deve permitir acesso à sua rede 4G a qualquer revendedora interessada e facilitar aos usuários dessas companhias a mudança para uma operadora de rede diferente, de acordo com as condições gerais.

Bernd Meyring, sócio da Linklaters LLP em Bruxelas, disse que a Comissão Europeia fundamentará suas futuras decisões sobre fusões similares na possibilidade de que os recursos na Alemanha ajudem a estabelecer a Drillisch como “concorrente séria”.

“A principal questão é: uma concorrência efetiva precisa de várias redes independentes ou ela pode funcionar quando vários concorrentes utilizam a mesma infraestrutura?”, disse Meyring. “A comissão está só começando a entender como tudo isso funciona”.

Últimas de _legado_Notícia