PCC prepara ataques para Copa e eleições e polícia entra em alerta

Criminosos planejam uma greve e represália externa ao governo paulista caso haja reação contrária

Por O Dia

São Paulo - A Polícia Militar do estado de São Paulo está em estado de alerta após ter descoberto planos do Primeiro Comando da Capital (PCC) de preparar novos ataques. Segundo o comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, a represália se dá pelo fato de que a cúpula criminosa será transferida para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) da Penitenciária de Presidente Bernardes, no interior do estado.

Os ataques visam afetar a Copa de 2014, que eles chamam de "Copa do Mundo do Terror" e as eleições. Os planos foram obtidos a partir de interceptações de escutas telefônicas recentes flagradas pela inteligência da polícia. Os criminoso afirmam que farão uma greve branca nos presídios se o grupo que domina a facção for transferida para o RDD.  Eles também ameaçam um ataque externo, caso o governo de São Paulo reaja à greve. 

'Não vamos nos intimidar', diz Alckmin sobre ameaça de morte do PCC Reprodução Internet

De acordo com a PM, as novas ordens do crime foram descobertas depois de a defesa de bandidos como Marco Willians Herbas Camacho, o Marola, o líder do PCC, ter conseguido acesso aos detalhes da megainvestigação realizada por três anos contra a facção criminosa. A maior parte de mapeamento das ações do grupo organizado foi feita com colaboração de policiais militares.

As informações foram obtidas através de telefonemas realizados pelos líderes que estão na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, na Zona Oeste paulista. O clima é bastante tenso na região.

Um dos 23 promotores dos Grupos de Atuação Espeacial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) informou que os bandidos estão transmitindo as ordens pelos celulares porque querem que todos saibam.

A inteligência policial verificou também que o bando tomou precauções para o caso de toda a cúpula ser isolada no RDD de Presidente Bernardes. Marcola e os demais integrantes da Sintonia Final Geral escolheram substitutos que devem assumir os negócios da organização criminosa. Tudo isso para que o tráfico de drogas não seja prejudicado.

Durante a greve branca, os líderes do PCC querem impedir a inclusão de novos detentos na cadeia. Pretendem se recusar a serem fechados nas celas, ficando livres nos pátios. Também paralisariam o trabalho nas prisões onde existem oficiais. Em caso de intervenção do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ou da Tropa de Choque, os detentos da facção pretendem começar atentados nas ruas.

De acordo com a inteligência policial, funcionários dos presídios também foram informados por presidiários sobre as supostas intenções da facção. O conteúdo dessas novas escutas não faz parte da denúncia apresentada pelos promotores.

Alckmin anuncia grupo especial para investigar denúncias sobre PCC

Nesta segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a criação de um grupo especial para investigar denúncias sobre ações de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), feitas com base em escutas de ligações de celulares entre líderes presos e integrantes nas ruas. "Queria trazer uma tranquilidade para a população, dizendo do esforço que está sendo feito pela polícia e que todas as medidas estão sendo tomadas", disse Alckmin

Entre as denúncias que vieram a público desde a semana passada estão a ameaça de morte da facção ao governador e secretários, o envolvimento de policiais militares (PMs) com os bandidos e a ameaça de infiltração de membros do PCC em manifestações para matar PMs. A infiltração em manifestações seria uma represália da facção à medida do governo de isolar os principais líderes do bando no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Em entrevista coletiva, Alckmin disse que uma “força-tarefa” formada por policiais civis e militares, além de promotores irão atuar “24 horas por dia” no Cisp (Centro Integrado de Inteligência em Segurança Pública) para rastrear as ligações telefônicas de presos e denúncias de envolvimento de policiais com a facção.

O governador disse ainda que está acelerando o processo licitatório para instalações de bloqueadores de celular nos presídios. "Já está aberto o pregão para bloqueadores de celular em 23 penitenciárias. Esperamos concluir o processo licitatório agora em novembro e em dezembro começar as instalações", disse.

Participaram do encontro, que durou cerca de 40 minutos, os secretários de Segurança Pública, Fernando Grella, de Administração Penitenciária, Lourival Gomes, de Planejamento, Júlio Semeghini, e da Casa Civil, Édson Aparecido, além do superintendente da Polícia Civil, Maurício Blasek, e do comandante geral da Polícia Militar, Coronel Meira.

Investigação

Depois de três anos e meio de investigação, o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo concluiu o maior mapeamento da história do crime organizado no País, com um raio X do Primeiro Comando da Capital (PCC). Por fim, denunciou 175 acusados e pediu à Justiça a internação de 32 no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) - entre eles, toda a cúpula, hoje presa em Presidente Venceslau.

Na última sexta-feira, Alckmin comentou as interceptações telefônicas que mostram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) havia decretado sua morte. "Os bandidos dizem que as coisas ficaram mais difíceis para eles, pois eu quero dizer que vai ficar muito mais difícil", afirmou, ao participar de agenda pública em Mirassol, no interior do Estado.

Segundo o governador, ele continuará a lutar contra a criminalidade. "Nós não vamos nos intimidar. É nosso dever zelar pelo interesse público." Alckmin disse ainda que vai trabalhar para "fortalecer ainda mais o regime disciplinar diferenciado".

"Nós temos as mais fortes penitenciárias do País aqui no Estado. Os índices de criminalidade estão em queda, fruto exatamente desse trabalho, que vai ser fortalecido para proteger a população", completou.










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