Poupança bate inflação e renda fixa com taxa básica a 8,5%

Aumento em 0,5% da Selic torna a caderneta mais atrativa que maior parte dos fundos de investimentos

Por O Dia

Rio - A caderneta de poupança ficou mais atrativa com o aumento da taxa básica de juros (Selic) para 8,50% ao ano, anunciada na noite de quarta-feira (10) pelo Banco Central. A aplicação deve superar quase todos os fundos de renda fixa com taxa de administração acima de 0,5% ao mês, segundo o diretor executivo de estudos econômicos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro de Oliveira. Além disso, sua rentabilidade anual ficará acima da inflação.

O fato de a caderneta não cobrar Imposto de Renda nem taxa de administração – ao contrário dos fundos de investimento –, faz com que o investimento ganhe destaque, analisa Oliveira. Pela regra atual, sempre que a taxa básica de juros superar 8,5% ao ano, a aplicação passará a render o equivalente à norma antiga: 0,5% ao mês mais taxa referencial (TR) – que ficou zerada entre agosto de 2012 e o último dia 19 de junho. Abaixo ou igual a 8,5%, ela rende 70% da Selic mais TR.

“Se houver um novo aumento da taxa básica de juros, como sinaliza o Banco Central, a poupança passará a render 6,17% ao ano mais TR”, explica a professora de finanças do Insper, Angela Menezes. Para ela, com a Selic mais alta, o mercado financeiro pode iniciar uma disputa para convencer os investidores da poupança a migrar para outras aplicações, como fundos DI e Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que tendem a ficar mais rentáveis.

“Outros produtos financeiros podem passar a oferecer taxas mais atrativas, por conta desta competitividade. Cabe ao investidor pesquisar a opção mais vantajosa. Se ele desconhecer as taxas cobradas, é melhor permanecer na poupança”, recomenda a docente.

Mesmo com uma rentabilidade menor pela nova regra, a poupança registrou uma captação líquida recorde em junho de R$ 9,451 bilhões, desde o início da série calculada pelo Banco Central, em 1995. Isso significa que os depósitos superaram os saques na maior quantidade já registrada. No primeiro semestre, o ingresso de capital também foi recorde, de R$ 28,273 bilhões.

Comparativo

Rendimento bruto das aplicações – sem considerar taxas e impostos – e alta da inflação acumulados nos seis primeiros meses do ano (em %).

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