Fiéis celebram Corpus Christi mesmo com chuva e frio

Confecção de tapetes precisou ser transferida para as igrejas e encantou estrangeiros

Por O Dia

Rio - A chuva forte que caiu nesta quinta-feira no Rio não impediu que centenas de jovens participassem da tradicional montagem de tapetes de sal no feriado de Corpus Christi na Catedral de São Sebastião e da Igreja de Sant’Ana, no Centro. Por causa do mau tempo, os painéis que seriam confeccionados na Avenida Chile foram para o interior das igrejas. À tarde, mais de cinco mil católicos enfrentaram o frio e a chuva fina e seguiram em procissão da Calendária à Catedral, onde o arcebispo do Rio, cardeal Dom Orani Tempesta, rezou uma missa que precisou de cadeiras extras.

A missa na Catedral de São Sebastião lotada precisou de cadeiras extras. Dom Orani elogiou a presença dos novos ‘convidados’%3A torcedores estrangeiros na cidade para a Copa Paulo Araújo / Agência O Dia

Além dos devotos, a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo atraiu muitos turistas torcedores, que estão na cidade para a Copa do Mundo. Mais cedo, na Igreja de Sant'Ana também lotada, Dom Orani elogiou os novos convidados. Disse que a presença de estrangeiros “é um belo momento de ver que a eucaristia é universal e que a Igreja Católica é para todos.”Segundo padre Joel Amado, pároco da Catedral, a média diária de estrangeiros passou de 700 para 1 mil pessoas, desde o início da Copa.

A missa na Igreja de Sant’Ana marcou o início do programa da festa do “Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo” e encerrou a 88ª Semana Eucarística, que tem como tema neste ano a caridade. Dom Orani pediu que os fiéis aproveitassem a data para lutar contra as injustiças sociais. Segundo ele, todos são responsáveis por levar Cristo às pessoas que têm fome e sede de uma vida nova.

“Temos que nos corresponsabilizar para que, em uma sociedade com tantas injustiças e tão desigual como a nossa, cada um faça a sua parte, seja no campo da assistência social, na promoção e na reivindicação, para que o cristão, com sua paz e com o seu coração cheio de amor pelos outros, se comprometa com os seus irmãos”, afirmou o cardeal.

Trabalho durante a madrugada

Com sal grosso, borra de café, casca de ovo e corante, recolhidos durante meses, 40 grupos católicos chegaram ainda na madrugada de ontem para desenhar 400 metros de tapetes na Catedral. Os painéis retrataram símbolos e personalidades religiosas, como a Irmã Dulce, para marcar o ano da caridade instituído pela Arquidiocese do Rio.

“O principal ingrediente na confecção dos tapetes é o amor desses jovens para engrandecer a festa a Nosso Senhor”, agradeceu o padre Wagner Toledo, pároco da Igreja de Santa Rita. “Cristo está vivo e presente. Pedimos ao Senhor que sejamos aqueles que levam paz, fraternidade, vida nova e justiça para a nossa cidade e ao mundo todo”, disse Dom Orani.

Ritual atrai turistas de vários países

Os americanos Fabian Saa, 26 anos, e David Kim, de 23, que assistiram ao ritual da Catedral, disseram que se encantaram pela montagem dos tapetes. “Nunca tínhamos visto uma cerimônia como esta. É muito diferente, até a arquitetura da igreja, que não tem um formato tradicional”, disse a católica Saa.

Já o polonês Powell Eliasz, 27, disse que estranhou o momento calmo da cidade, pois não sabia que a data era feriado. Porém, gostou de ver a devoção dos cariocas quando entrou na Catedral e viu o engajamento na ação. “A cidade está vazia, mas cheia aqui. É muito bonito. Meu país tem muito católico, mas nunca vi isso lá”, disse Powell.

O chileno Daniel Adriagado, 44, afirmou que o que lhe chamou mais a atenção foi o tamanho da igreja. “É muito grande aqui. Por isso que o local deve ter sido escolhido para receber essa celebração.”

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