'Pedi apenas para não ser agredido', diz porteiro de sindicato invadido na Lapa

Grupo tentou atrapalhar as eleições do Sindicato dos Comerciários. Policiais suspeitam que algum deles pertençam a alguma torcida organizada do Corinthians

Por O Dia

Rio - O porteiro do Sindicato dos Comerciários, localizado na Rua André Cavalcanti, número 33, na Lapa, passou por momentos de terror na madrugada desta quarta-feira. Ele presenciou a invasão de mais de 200 homens que foram ao local para atrapalhar a eleição do sindicato que acontece hoje.

Policiamento na entrada da sede do Sindicato dos Comerciários está reforçado nesta quarta-feira após a invasão ao local durante a madrugadaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

"Só vi aquela multidão entrando. Não pude fazer nada. Pedi apenas para não ser agredido. Não vi ninguém armado", descreveu o porteiro do sindicato ainda assustado, que preferiu não se identificar. Um comerciante do local e que estava em casa afirmou que ouviu vários disparos de arma de fogo durante o tumulto. Agentes do Lapa Presente também afirmaram ter ouvido tiros.

Em seguida o grupo seguiu pelas ruas da Lapa a procura dos ônibus. Houve correria e durante o trajeto eles soltaram fogo de artifício, rompendo o silêncio da madrugada. Um grupo de 53 deles foi detido por agentes da Lapa Presente na esquina da Avenida Mem de Sá, com a Rua do Resende. No ônibus deles foi encontrada a réplica de uma pistola, canivetes, fogos de artifício e trouxinhas e cigarros de maconha.

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O motorista e proprietário do veículo, Edmilson da Silva Pires Júnior, de 29 anos, disse que os ônibus saíram do bairro de Itaquera, na Zona Norte de São Paulo, próximo a Arena Corinthians, o Itaquerão, na noite de terça-feira, com a viagem recorrendo de forma tranquila. Ele disse saber apenas que os passageiros estariam indo ao Rio para prestar serviços de segurança. "Se soubesse que iria acabar nisso não teria aceito. Não tenho nada haver com isso. O veículo está totalmente regularizado. Será que vai pegar alguma coisa para mim?', perguntava preocupado.

O outro veículo foi abordado na Praça Cruz Vermelha, com cerca de 80 pessoas, onde cocaína e mais fogos de artifício foram achados. Os outros detidos ficaram a pé. Os motoristas dos outros dois ônibus teriam fugido do local após o início do tumulto.

Todos os 220 detidos foram levados para a 5ªDP (Mem de Sá), delegacia da área e central de flagrantes da região. Devido ao grande número de sarques (verificação de antecedentes criminais) que teriam que ser feitos e da limitação de espaço, o delegado Leandro Artides encaminhou os presos para a Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte. Um aparato teve que ser montado para transferir os presos e para registrar a ocorrência. Policiais do Batalhão de Choque participaram da escolta. A polícia vai investigar a suspeita de que alguns envolvidos sejam integrantes de torcidas organizadas de São Paulo.

O interventor José Carlos Nunes revelou que na véspera da eleição foi ameaçado de morte pela mulher de um ex-diretor do sindicato, por uma rede social. Há oito meses, ele disse que recebe ameaças de morte e anda sob escolta policial. Ele também informou que oficiou a Secretaria de Segurança Pública solicitando reforço no policiamento no sindicato, o que, segundo ele, não ocorreu e poderia ter evitado a invasão da sede.

O incidente ocorreu horas antes do início da eleição que, 48 anos depois de domínio da família Mata Roma, escolherá a nova diretoria da entidade, que está sob intervenção da Justiça Federal.

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