João Tancredo: Irresponsabilidade aérea

Autoridades de cada país precisam investigar o real cenário do mercado aéreo, essencialmente os voos fretados, para que haja responsabilidade e segurança

Por O Dia

Rio - A tragédia do voo 2933 da Lamia não só causou comoção mundial como também nos deixou atônitos quanto à segurança de todos nós enquanto passageiros. Afinal, num mundo globalizado, não são poucos os trabalhadores que constantemente dependem de um deslocamento ágil. No caso da aeronave Avro RJ85, ainda é cedo para conclusões, e qualquer afirmação será precipitada. Porém, a perda de mais de 70 vidas não pode se tornar mera estatística. Autoridades de cada país precisam investigar o real cenário do mercado aéreo, essencialmente os voos fretados, para que haja responsabilidade e segurança.

Se por uma lado é legítima a reivindicação, que sempre defendemos, da própria categoria de pilotos e comissários quanto às condições de trabalho e jornadas desumanas com altos níveis de estresse, por outro, segundo especialistas, há também forte suspeita de que pequenas empresas atuem de forma irresponsável.

Nessa catástrofe em Medellín, indícios apontam para uma atitude criminosa do sócio da companhia aérea em traçar um plano de voo arriscado. Análises de profissionais experientes remetem a causa a uma pane seca, falta de gasolina. Aparentemente, a autonomia do avião estava no limite para chegar ao destino, e a espera para autorização do pouso comprometeu o voo, tendo em vista não haver reserva de combustível.

Tudo transita ainda no campo das suposições, e é preciso aguardar. O que não se pode mais esperar é um maior rigor na fiscalização do setor. Esse voo só aconteceu porque a Anac não autorizou a ida direta da Lamia de São Paulo para Colômbia, já que a companhia não é nem do país de origem nem do destino. Se há essa obediência ao regulamento, será que não poderia haver também interferência dos órgãos competentes quanto a essas pequenas empresas e seus planos de voo? Especialistas cogitam que muitas funcionam de forma aventureira, o que é inadmissível.

Agora, restam aos entes queridos e a toda uma cidade a dor e a saudade. Muito embora seja impossível recuperar as vidas perdidas, é fundamental a adequada assistência às famílias durante a investigação para ter os seus danos reparados. Nesse momento, nos cabe prestar toda a solidariedade e nos unirmos enquanto sociedade com ações e esperança rumo à reconstrução do inegável campeão Chapecoense e as enlutadas famílias dos profissionais de imprensa.

João Tancredo é advogado e atuou para as vítimas de TAM, Air France e Gol

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