Delegacia investiga se suposta fraude no Carnaval envolve verba da prefeitura

Vereadora quer abertura de uma CPI para apurar o caso

Por O Dia

Cartazes de apoio a Laíla eram carregados por componentes da escola no desfile das campeãsCacau Fernandes / Parceiro / Agência O Dia

Rio - A Delegacia Fazendária vai investigar se o dinheiro público foi usado na suposta fraude que coloca em xeque a lisura do resultado do Carnaval de 2016. A abertura do inquérito policial foi antecipada, nesta terça-feira, pelo ‘Informe do Dia’. Apesar de os bicheiros organizarem o espetáculo como se fosse privado, parte da verba da folia sai dos cofres da Prefeitura do Rio.

O município repassa R$ 2 milhões para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial e banca toda a infraestrutura. Segundo explicação da Polícia Civil, se fosse um evento privado a investigação caberia à Delegacia de Defraudações.

A Liga das Escolas de Samba (Liesa) foi notificada e garantiu que prestará as informações solicitadas pela polícia. A base do inquérito são as denúncias do diretor da Beija-Flor, Laíla, divulgadas com exclusividade pela coluna do Leo Dias, no dia 12, de suposto esquema de manipulação de notas que beneficiaria a Unidos da Tijuca, e o afastamento do jurado do quesito Bateria Fabiano Rocha — que teria sido flagrado em áudio — garantindo que tiraria pontos da Beija-Flor, do Salgueiro e da Imperatriz.

A Liesa ressaltou que afastou o jurado Fabiano para evitar eventual prejuízo ao resultado. Mas, transferiu a Laíla a responsabilidade de explicar a procedência do áudio. “Cabe à escola Beija-Flor esclarecer como o arquivo citado na denúncia foi obtido”, enfatizou em nota, colocando sob suspeita a legalidade da fita.

Em nota, a Polícia Civil informou que Laíla, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, e o jurado Fabiano estão entre os que serão convocados para depor. A delegacia solicitou à Liesa cópia do áudio. “É preciso transparência. Vou entrar com uma representação para que o Ministério Público apure também”, disse a vereadora Teresa Bergher (PSDB). Ela luta pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas, até a tarde desta terça-feira só havia conseguido três das 17 assinaturas necessárias. “É difícil obter apoio. Há anos que não temos CPI na Câmara”, reclamou.

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