Voluntários interrompem rotina para levar carinho para que tem menos

Só na ONG RioSolidario eles aumentaram em 25% este ano

Por O Dia

Rio - Antevéspera de Natal e voluntários de diversas regiões correm contra o tempo para garantir presentes para crianças. São pessoas comuns, que reservam parte do tempo para levar alegria e produtos a casas humildes, creches e instituições. Não fazem isso só no Natal: cultivam a caridade o ano todo. A ONG RioSolidario calcula que o número de voluntários tenha aumentado em 25% este ano, um indício de que cada vez mais pessoas se dedicam à caridade e solidariedade.

Voluntários da Casa de Apoio à Criança com Câncer São Vicente de Paulo dedicam horas de seu tempo todo mês aos eventos que animam os pequenos internadosDivulgação

Depois do trabalho, a cabeleireira Renata Dias, 40 anos, não descansou nos últimos meses. Era hora de organizar os brinquedos, roupas e alimentos que arrecadou para a sétima festa de Natal, que será realizada amanhã, no antigo prédio do IBGE. "A meta este ano é alcançar 8 mil brinquedos",conta ela, que integra o projeto social A rua é nós, desde outubro de 2016 e considera que sua vida mudou. "Desapeguei, passei a reclamar menos e ajudar mais", afirma. Depois da festa, que está marcada para as 10h, os voluntários do projeto social, farão uma carreata entregando presentes em comunidades da Barreira do Vasco, Dourado, Mandela, Amorim.

A empresária Carol Reis, 37 anos, lota a sala e a garagem de sua casa, em Duque de Caxias, para com doações que arrecada por meio dos pedidos feitos na página do Facebook Fazer o bem faz bem, criada por ela há dois anos. Os 700 brinquedos serão entregues a crianças, durante a festa de Natal, hoje, às 10h, no Lixão de Gramacho. Para levar as doações até lá, ela conta com a ajuda de um caminhão e de outros sete voluntários. "Cachorro-quente, pipoca, gelatina e muito amor! É tudo o que prometo realizar hoje para as crianças". A decisão de se tornar voluntária, começou há cinco anos, quando se mudou da Zona Sul para Baixada Fluminense. "A mudança de bairro, me colocou diante de uma realidade que nunca tinha visto. Vi crianças comendo no chão, em potes de sorvete. Mexeu comigo. Mobilizei meus amigos e estamos aí até hoje", explica.

Natalia%2C da Voluntários do Bem%2C faz ações sociais em Jardim GramachoDivulgação

Ainda na Baixada, sob um sol escaldante, um grupo de voluntários distribuíram chinelos, panetones e alimentos para 320 crianças, moradoras do antigo Lixão, no Jardim Gramacho, domingo passado. Entre os integrantes, estava Natalia Lima, 28 anos, fundadora do projeto social Voluntários Do Bem. O projeto, criado em 2012, recolhe mantimentos, roupas e brinquedos que são entregues em orfanatos, creches e abrigos de animais. "Realizamos ação social no Lixão em todo último domingo do mês", explicou. Os eventos são realizados sempre na sede do Projeto Gramachinhos.

Hayandra Ribeiro faz há 10 anos um trabalho voluntário com o Grupo Jovens Solidários: leva alegria para os membros da Casa de Apoio à Criança com Câncer São Vicente de Paulo. A solidariedade não se limita ao Natal. 

GRATIFICANTE

Se tornar voluntário gratificante, garantem eles. Mas, o diferencial deste ano é o aumento da arrecadação através das doações espontâneas, ou seja, pessoas que doaram individualmente após terem conhecimento da ação de Natal. Para a diretora do RioSolidario, Liliana Pinelli, a maior parte da procura é feita por jovens. "Entendo que nesta época do ano ficamos mais sensíveis. Mas, acredito que a sociedade está começando a despertar sentimentos de união", explica.

A voluntária Hayandra Ribeiro, de 32 anos, apadrinha crianças e só pensa em se dedicar cada vez mais ao projeto que participa. "Espero ter força para realizar tudo isso até o final da minha vida. Se eu parar, me sinto infeliz", conta. A necessidade em realizar o serviço social começou aos 17 anos, junto com uma amiga.

Nascida e criada em Vicente de Carvalho, conhece bem as necessidades e problemas enfrentados pelas crianças. Hoje, a partir das às 10h, participará de uma festa natalina na Quadra do Arão, no Morro do Juramento.


*Do estagiário Matheus Ambrósio com supervisão de Joana Costa

 

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