OLÁ, HUMANOS!

Por Da estagiária Nadedja Calado, sob supervisão de Angélica Fernandes

Com 900 milhões de usuários ativos, o Facebook Messenger é mais do que um sistema para se comunicar com os amigos. A plataforma também é uma forma de contato com empresas, sem aquela irritação de aguardar 'só mais um minutinho' como ao telefone. Desde o ano passado, a praticidade dos atendimentos atinge outro nível: a rede social lançou um sistema para a criação de Chatbots atendentes programados por inteligência artificial. A funcionalidade deslanchou, superando a marca dos 100 mil Chatbots, em mais de 200 países. E as possibilidades vão muito além do atendimento ao consumidor: já existem Chatbots especialistas em saúde; política e educação; os que dão conselhos e os que ajudam a arrumar um emprego e até mesmo um namorado. De tão eficientes e simpáticos, muita gente até esquece que está, na verdade, conversando com um robô.

A ausência de um ser humano do outro lado da tela pode até aumentar a confiança do usuário: o anonimato garantido nos bots como o dos Alcoólicos Anônimos e o Socorre-me, para apoio a dependentes químicos, atrai quem precisa abrir o coração. "O público não quer se expor, o robô é um terapeuta virtual e ninguém fica sabendo", contou Daniel Cardoso, criador do Socorre-me. Ele, que foi dependente químico por 15 anos, desenvolveu o sistema para ajudar pessoas que passam pela mesma situação. "O robô é parceiro, veio para somar. Automatização economiza tempo e recursos: quando há necessidade de atender muitas pessoas em processos repetitivos, a falha humana é natural, mas o robô consegue fazer tudo com excelência. As pessoas até se afeiçoam. Muita gente agradece, manda 'que Deus te abençoe'", explicou.

Mesmo ainda recente, o mercado de Chatbots já impressiona: no ano passado era avaliado em US$ 703 milhões (R$ 2,19 bilhões). Estudos norte-americanos indicam que até 2020, 80% das empresas terão ao menos um Chatbot. Tarefas cansativas, como a busca por emprego, já contam com robôs especializados. O Joboto, por exemplo, tem uma base de 50 mil usuários. "O bot procura vagas de emprego na área que o usuário quiser e também é capaz de enviar alertas avisando das novas vagas encontradas. Pessoas já nos contaram que conseguiram emprego graças ao Joboto, mas até quando não conseguem, elas agradecem, gostam da ferramenta e são receptivas", apontou Luis Daher, engenheiro do projeto.

Quem também recebe mensagens de amor e carinho é a Beta, a 'robô feminista'. Criada para ser uma ferramenta política, a principal preocupação da equipe era não deixar que ela fosse burocrática ou chata: "A personalidade dela envolveu um grande trabalho de comunicação. É uma linguagem acessível e bem-humorada. Ela tem até um mapa astral próprio", contou Mariana Ribeiro, diretora de Comunicação do projeto. "Recebemos mensagens com elogios, tem até gente que quer desabafar com a Beta. Não era o uso que planejamos, mas vamos abraçando conforme as pessoas e explorando as possibilidades", completou. "Achei interessante porque ela é voltada para jovens, que têm cada vez mais interesse na política. É prático, ela faz tudo por você, só precisa conversar com ela. Espero ver cada vez mais ações assim no futuro", aprovou a estudante de psicologia Nina Stamato Ruschel, 20 anos.

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