Octógono em festa: 20 anos do esporte

Modalidade completa duas décadas com impressionante crescimento no mundo e tendo o Brasil como um de seus destinos preferenciais

Por O Dia

Rio - O que era para ser uma demonstração da superioridade do Gracie jiu-jítsu sobre as demais artes marciais, em 1993, acabou sendo a pedra fundamental para a criação de um esporte que se transformou numa febre nos dias de hoje. Após 20 anos, o Ultimate Fighting Championship saiu das trevas para a glória e sua história se mistura à do MMA moderno. Caminho trilhado com sangue, suor, decadência e prosperidade, mas que parece não ter chegado ainda ao seu destino final.

Royce Gracie, ganhador de três das quatro primeiras edições do eventoDivulgação

Se nos EUA o evento completa duas décadas na terça-feira, no Brasil ainda engatinha. O plano é que 35 edições sejam realizadas no ano que vem, 13 delas por aqui. De Royce Gracie, campeão de três das quatro primeiras edições, a Anderson Silva, o maior em defesas de cinturão (10), o UFC se orgulha de ter sido criado por brasileiro — precisamente por Rorion Gracie — e por já ser uma paixão nacional. O Eldorado é aqui.

“A popularização do esporte no Brasil se deu, na minha opinião, no duelo entre Vitor Belfort e Anderson (em 5 de fevereiro de 2011). Vejo um futuro de crescimento. Tenho certeza de que estes 20 anos vão se transformar em 40”, analisa Rodrigo Minotauro, 37 anos, ex-campeão interino dos pesados. “Sinto-me orgulhoso e honrado por fazer parte dessa história”, conta o ídolo.

Perseguido nos primórdios por sua violência, o UFC teve que evoluir, assim como seus lutadores, em busca da aprovação popular. Regras foram alteradas e a mudança de mãos, em 2001, foi necessária para livrar o evento da falência. Comprada por dois milhões de dólares, a marca hoje vale mais de um bilhão.

“É uma data especial para o UFC e para o esporte. Acho que ainda há muito a evoluir. Costumo dizer que ninguém queria ter um genro lutador. Hoje, muita gente quer”, brinca Maurício Shogun, 31, ex-detentor do cinturão meio-pesado. Que o esporte tenha então fôlego para viver ainda por muitas décadas.

Rorion Gracie%2C o "pai" da modalidade que não para de crescerDivulgação

1993 - Rorion Gracie se associa ao empresário Art Duvie e ao cineasta John Millus para promover um torneio que reúne representantes de oito artes marciais. O slogan era “Não há regras” e só não era permitido morder e golpear os olhos do oponente. Royce Gracie foi o primeiro campeão e viria a dominar os próximos eventos.

1994 - Antes de entrarem no octógono para o UFC 4, Jason Fairn e Guy Mezger combinaram de não puxar o cabelo um do outro. A partir daí, a regra foi incorporada ao evento.

1995 - O esporte começa a sofrer pressão por seu cunho violento. As lutas são limitadas a 20 minutos nas quartas de finais e a 30 nas finais, o que desagradou a família Gracie e a afastou do UFC. Naquela época, Marco Ruas mistura boxe, muay thai e luta livre e vira o modelo
de lutador de MMA.

1996 - O senador americano John McCain inicia campanha contra as lutas sem regras, e no UFC 8 fica proibido cabeçadas e golpes na cabeça a curta distância, sob o risco de prisão dos lutadores.

Victor Belfort, outro grande nome brasileiro no esporteWander Roberto / inovafoto / Divulgação

1997 - Vitor Belfort estreia no UFC com apenas 19 anos e vence o GP dos pesados. São implantadas divisões por pesos e o uso de luvas. Chutes no rosto de oponentes caídos, cabeçadas e golpes atrás da cabeça e na virilha passam a ser proibidos.

1998 - O UFC chega pela primeira vez ao Brasil, em São Paulo, enquanto o Pride arrasta multidões no Japão e se consolida como o maior evento de MMA do
mundo.

1999 - As lutas passaram a ser divididas em cinco rounds de cinco minutos e Mark Coleman teve a ousadia de implantar o ground and pound — técnica de derrubar, montar e socar o adversário.

2000 - No UFC 25, Tito Ortiz se torna campeão pela primeira vez e o lutador com mais aparições no evento. Na ocasião, o UFC abandona o formato de evento de uma noite e cada lutador participa de um combate por edição.

2001 - Randy Couture se consolida como astro do MMA, enquanto os irmãos Lorenzo e Frank Fertitta compram o UFC por 2 milhões de dólares, convidam Dana White para presidir o evento e implementam um código de regras para o torneio.

2002 - Já na edição 40, o UFC desperta o interesse dos grandes veículos de comunicação dos EUA, com o combate entre Tito Ortiz e Ken Shamrock. Murilo Bustamante é campeão dos médios, mas é destituído do título meses depois de assinar com o Pride.

Anderson Silva%2C o Spider%2C teve seu nome alçado á fama pela projeção que ganhou com o esporteDivulgação

2003 - Em seu décimo aniversário, o UFC inaugura seu hall da fama e Tim Sylvia é o primeiro campeão a perder o cinturão dos pesados por doping.

2004 - George St. Pierre inicia sua trajetória no evento ao bater o armênio Karo Parysian. Neste ano, os irmãos Fertitta recebem a oferta de 4 milhões de dólares pelo UFC, mas desistem da venda. Vitor Belfort leva o cinturão dos meio-pesados, mas perde a revanche para Randy Couture meses depois e dá adeus ao título.

2005 - A criação do reality show “The Ultimate Fighter” faz o MMA cair no gosto do público americano e o campeão do evento, Forrest Griffin, é um dos responsáveis por isso.

2006 - Matt Hughes ‘aposentou’ Royce Gracie e impôs a Georges St. Pierre uma das suas duas derrotas da carreira. Ainda em 2006, a Zuffa, dona do UFC, compra os concorrentes WEC e WFA. Anderson Silva estreia com nocaute relâmpago sobre Chris Leben.

2007 - Com a reputação em queda após a descoberta de uma ligação com a máfia japonesa, o Pride é vendido para a Zuffa e dá início ao maior monopólio do MMA mundial. Com a compra, Wanderlei Silva e outras feras trocam o Pride pelo UFC.

2008 - Com o negócio indo de vento em popa, os irmãos Fertitta largam o ramo de cassinos e passam a se dedicar apenas ao MMA. Grandes patrocinadores assinam com a empresa e Anderson Silva unifica o cinturão dos médios ao derrotar Dan Henderson. Rodrigo Minotauro finalizou Tim Sylvia e se sagrou campeão interino dos pesados.

2009 - A centésima edição do UFC marca a revanche entre Brock Lesnar e Frank Mir. O Brasileiro Lyoto Machida toma o cinturão dos meio-pesados de Rashad Evans e mantém contra Maurício Shogun.

2010 - Rashad Evans e Quinton Jackson são os primeiros negros a se enfrentarem num combate principal do UFC. Brock Lesnar se tornou o maior lutador a vender pay per view da história, superando Mike Tyson. Maurício Shogun toma o título dos meio-pesados de Lyoto. WEC se funde com o UFC e os campeões e principais lutadores migram para o maior evento de MMA
do mundo.

2011 - A Zuffa adquire o Strikeforce e reforça seu monopólio. O UFC 129 tem o recorde de público, no Canadá: 55.724 espectadores. O ano não começa bem para Shogun, que perde o cinturão para Jon Jones. Vindo do WEC, José Aldo estreia no Ultimate e mantém o título dos penas, enquanto Junior Cigano bate Cain Velasquez para se tornar o campeão dos pesados. O UFC volta ao Brasil para a primeira edição do UFC Rio, em agosto.

A bela americana Ronda Rousey é a primeira campeã feminina do UFCRonda Rousey

2012 - O reality show TUF estreia na TV brasileira e supera expectativa de audiência. Renan Barão se transforma no quinto brasileiro campeão do UFC, ao conquistar a cinta interina dos galos. Mas a marca não dura muito: Cigano leva o troco de Velasquez e cai do topo dos pesados.

2013 - O mito Anderson Silva é surpreendentemente derrotado por Chris Weidman e dá adeus à invencibilidade de 16 lutas, pondo fim à dinastia de quase sete anos entre os médios. Ronda Rousey é a primeira campeã na categoria feminina dos galos.


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