Uma caroninha de 37 mil km

Andrew Grady pretende ver a Copa do Mundo de perto e quer pegar caronas de South Shields até o Brasil

Por O Dia

Rio - Você se considera louco por futebol? Não importa o argumento que vá usar, pois certamente perderá para o inglês Andrew Grady. Morador de South Shields, ele pretende ver a Copa de pertinho. Até aí, nada de mais, não fosse o percurso de 37 mil km que ele fará. Seu objetivo é chegar ao Brasil pegando carona (carro, caminhão, trem, barco, avião...). Um desafio que, para ele, não é novidade. Em 2010, ele foi da Inglaterra para a África do Sul, também pela Copa, e dois anos depois fez uma loucura maior: saiu de Londres para Perth, na Austrália, para voltar a Londres a tempo de ver a Olimpíada.

Andrew quer chegar ao Rio só de caronaReprodução Internet

Grady começará a jornada em 10 de março e vai atravessar quatro continentes. Um detalhe: ele não tem ingresso para a estreia da Inglaterra, dia 14 de junho, contra a Itália, em Manaus. A aventura pode ser acompanhada no site themagicthumb.com.

MAS QUE BÓSNIA!

A delegação da Bósnia não gostou nem um pouco das instalações que vai usar durante o Mundial, na cidade do Guarujá (SP). O técnico Safet Susic fez cara feia ao ver o gramado desnivelado e um monte de fios elétricos embolados, à mostra, no vestiário. Maria Antonieta Brito, prefeita do Guarujá, garantiu que o centro de treinamentos estará pronto no fim de março. Será?

O REVOLTADO

O português Fernando Santos, treinador da Grécia, estava com caras de pouquíssimos amigos no congresso técnico da Fifa, em Santa Catarina. Ele reclamou das distâncias que sua seleção terá de percorrer e ainda por cima criticou a estrutura em Aracaju (SE), onde os gregos treinarão. As obras no Estádio Batistão ainda não têm prazo para acabar.

A ZEBRA QUE CRIOU UM MITO

Em mais de 80 anos de história, a Copa tem a sua maior zebra em 1950, na vitória dos EUA sobre a Inglaterra, por 1 a 0, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Os inventores do futebol, que pela primeira vez estavam em um Mundial, foram abatidos por um time de semiamadores.

O herói daquele dia foi Joe Gaetjens, carregado em triunfo pela torcida e lembrado até hoje pelos (poucos) americanos que curtem o esporte mais popular do planeta.

Gaetjens era filho de haitiana com belga. Nascido em Porto Príncipe, em 1924, foi para Nova Iorque no fim dos anos 1940, para estudar contabilidade na Universidade de Columbia. Seu futebol, no entanto, chamou a atenção dos dirigentes, que o convocaram, mesmo sem ele nunca ter sido cidadão americano.

Após encerrar a curta carreira como profissional na França, ele voltou ao Haiti em 1954. Sua amizade com Louis Déjoie, derrotado nas eleições presidenciais para François ‘Papa Doc’ Duvallier, lhe custou a vida. Em 1964, depois de dar o golpe para se perpetuar no poder, Papa Doc perseguiu todos os inimigos. A morte de Gaetjens é um mistério até hoje. O que se sabe é que ele foi sequestrado por Tonton Macoutes, agentes da polícia secreta. Seu corpo jamais foi encontrado.

Colunistas: Alysson Cardinali e Flávio Almeida

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